INFORMAÇÕES A RESPEITO DO INSETICIDA METAMIDOFÓS (TAMARON)

quinta-feira 15 de março de 2007.

Gilberto Casadei*

O inseticida metamidofós é comercializado no Brasil há vários anos segundo alguns diferentes nomes comerciais, entre eles: Tamaron BR (Bayer), Hamidop 600 (Arysta), Metamidofos Fersol 600 (Fersol), Metafos (Milenia), Metasip (Sipcam Agro), Dinafos (Cheminova). É um inseticida acaricida organofosforado sistêmico, formulado como concentrado solúvel ou solução aquosa não concentrada, que contém 600 g do ingrediente ativo metamidofós por litro do produto comercial. Está autorizado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), do Ministério da Saúde apenas para uso em pulverização foliar nas culturas de algodão, amendoim, batata, feijão, soja, tomate e trigo, via trator, pivô central ou aplicação aérea, evitando-se, assim, maior contato de aplicadores em exposição ocupacional. Na cultura do tomate, seu uso está autorizado somente para tomate rasteiro, com fins industriais (massa de tomate, etc.), sendo seu uso proibido para tomate de mesa.

O ingrediente ativo metamidofós tem sua toxicidade avaliada pela sua dose letal 50 (DL50) aguda oral para ratos de 30 mg/kg, sendo considerado muito tóxico. As formulações de metamidofós foram todas enquadradas pela ANVISA nas Classes toxicológicas I ou II (altamente tóxicas). Do ponto de vista de sua ação tóxica, como qualquer outro organofosforado, também o metamidofós é um éster inibidor da enzima acetilcolinesterase (uma enzima vital para o funcionamento do sistema nervoso), sendo este seu modo de ação, tanto nos insetos pragas, objetos do controle, bem como, assim, também nos demais animais (mamíferos inclusive).

Desse modo, em humanos, quando a exposição é demasiadamente elevada (aplicadores mal protegidos, sem o uso de equipamentos de proteção individual, aplicações sem observação de critérios técnicos) pode causar neuropatias, causando síndrome colinérgica, que se reflete em acúmulo do neurotransmissor acetilcolina nas terminações nervosas (salivação, sudorese, lacrimejamento, paralisia muscular, dificuldades respiratórias, asfixia, etc., e, eventualmente óbito). O tratamento é feito com o uso de antídotos, tais como sulfato de atropina e oximas. Do ponto de vista de riscos ao meio ambiente, por ser um éster solúvel em água e razoalvemente polar, o metamidofós, é degradado com certa facilidade e rapidez, especialmente através da hidrólise da ligação éster.

Desse modo, seu uso pode e deve causar ao meio ambiente apenas um efeito adverso localizado, se usado de modo correto e adequado. O metamidofós como todo agrotóxico, seja de qualquer Classe toxicológica, deve ser adquirido com receita agronômica e usado de modo adequado e de acordo com a boa prática agrícola, respeitando-se o período de carência (que vem obrigatoriamente informado no rótulo ou bula do produto comercial), de modo que, os produtos agrícolas colhidos de lavouras tratadas com esse inseticida sejam saudáveis e com resíduos finais aceitáveis e perfeitamente dentro dos limites máximos de resíduos estabelecidos pela legislação brasileira.

*PROFESSOR DA ESALQ/USP

Para saber mais sobre agrotóxicos e acidentes industriais:

“Curso Agrotóxicos - o controle de saúde dos trabalhadores expostos”. Congresso ANAMT – Goiânia, 2004 www.anamt.org.br/downloads/conf_11.ppt

“Impacto ambiental e administração de problemas toxicológicos na utilização de inseticidas agrícolas” http://www.dae.ufla.br/revista/revistas/1996/1996_1/revista_v8_n1_jan-jul_1996_3.pdf

“Pesticidas: um problema grave de saúde pública e ambiental” www.lead.org.br/article/articleview/2683/1/263

“MPT conta com mais dois fóruns para garantir a saúde e segurança do trabalhador” http://minerva.pgt.mpt.gov.br/noticias2/setembro2002/427-2anexo2.html

“É veneno ou remédio? Agrotóxicos, saúde e ambiente” http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2005000100042%20-%2029k

“Intoxicações e uso de pesticidas por agricultores do município de Paty do Alferes, Rio de Janeiro, Brasil”. http://www.scielo.br/pdf/csp/v20n1/34.pdf

“Agentes pesticidas causadores de intoxicação em três zonas habitacionais do município de Cáceres, Alto Pantanal, MT, Brasil.” http://www.cpap.embrapa.br/agencia/simpan/sumario/artigos/asperctos/pdf/bioticos/600RB-APCI-LSILVA-1-OKVisto.pdf

“Analisando os impactos socioambientais resultantes do uso de agrotóxicos num assentamento de reforma agrária”. http://www.anppas.org.br/encontro_anual/encontro3/arquivos/TA193-03032006-214352.DOC

“Sinais e sintomas do envenenamento por agrotóxicos” http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/vene3.htm

“Segurança química, saúde e ambiente: perspectivas para a governança no contexto brasileiro”. http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-311X2002000100025&lng=pt&nrm=iso



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