Economia Solidária é trabalhada através da arte na comunidade do Pici

sexta-feira 30 de novembro de 2007 por Comunicação Terrazul

Fonte: Adital

O saber e a criatividade humanos são valores centrais nas práticas de economia solidária, indo além da valoração do capital-dinheiro como eixo central da produção. Daí a relação próxima que a economia solidária mantém com as manifestações culturais. É nisso que aposta o Espaço Cultural Frei Tito de Alencar (ESCUTA).

Uma forma diferente de melhorar a situação da população do bairro Pici, localizado na periferia de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, está sendo desenvolvida há pelo menos cinco anos pelo ESCUTA. Ao invés de estimular a criação e comercialização de produtos para a geração de emprego e renda, a entidade trabalha com a cultura como forma de organizar e educar os moradores do bairro.

Fundado em 10 de abril de 1980, o ESCUTA teve início através dos trabalhos missionários desenvolvidos pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), vinculadas à Arquidiocese de Fortaleza, que na época realizavam uma missão de fé e ação conscientizadora junto a moradores marginalizados nas favelas da Fumaça, Inferninho, Feijão e Entrada da Lua, localizadas dentro do bairro do Pici.

Com as formações de grupos de jovens dentro da comunidade, aos poucos foi-se concretizando a idéia de pensar em um Espaço Cultural como instrumento de formação e resgate da cultura popular. O ano de 2002 marcou a consolidação do ESCUTA como um espaço cultural que, na mesma época, começou a trabalhar a arte com a comunidade sob os princípios da economia solidária, proporcionando à população uma formação mais ampla com abordagem sócio-politico-religioso-economico-cultural, aliada à formação artística capaz de gerar emprego e renda para seus participantes.

Para isso, a entidade passou a fazer parte da Rede Cearense de Socioeconomia Solidária, onde seus integrantes receberam cursos de capacitação que hoje os ajudam a trabalhar os princípios deste tipo de economia dentro do bairro Pici.

As formações teóricas acontecem através dos Círculos de Cultura, onde os jovens se reúnem uma vez por semana para estudar textos e realizar discussões que ajudam na educação da comunidade. "Aqui a gente começa a conhecer a realidade, dialogar os problemas da cidade e visualizar soluções", diz João Paulo Roque, coordenador geral do ESCUTA.

Um atrativo a mais para participar das rodas de debate são os grupos de animação organizados pelos jovens da comunidade, que mediam a leitura através da interpretação, geralmente, teatral. Além de facilitar a interação dos leitores com o texto, os grupos são uma forma de resgate da cultura e da arte popular.

Criado dentro da comunidade, o grupo de teatro do ESCUTA já está ampliando seus horizontes e profissionalizando seus atores. Segundo informou João Paulo, os jovens atores do grupo de teatro estão recebendo uma bolsa de 150 reais por mês que os ajuda a trabalhar e viver da arte. Outro meio para geração de renda são as apresentações fora da comunidade nas quais, conforme afirma o coordenador, dependendo do evento, o grupo pode cobrar pela apresentação.

Além desse trabalho, junto com a população e as demais organizações comunitárias, o ESCUTA busca melhorias para a comunidade levantando as dificuldades enfrentadas pelos moradores, apresentando-as às autoridades e fazendo parcerias com organizações governamentais e não-governamentais para oferecer uma melhor qualidade de vida para os moradores locais. De acordo com o coordenador da instituição, cinco espaços de convivência já foram criados no Bairro Pici com o intermédio do ESCUTA.

Fontes: Escuta - João Paulo Roque - 8730 8436

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