Brasil sobe tom em evento sobre o clima

terça-feira 2 de outubro de 2007 por Comunicação Terrazul

São Paulo, sábado, 29 de setembro de 2007

SÉRGIO DÁVILA, DE WASHINGTON

A delegação brasileira elevou o tom da discussão sobre aquecimento global no encontro sobre o tema convocado por George W. Bush. "A maior parte do mundo espera dos EUA um engajamento total nos esforços que todos estão fazendo para reduzir as emissões", disse o embaixador Everton Vieira Vargas, referindo-se à emissão de gases-estufa.

Anteontem, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, havia dito que seu país está preparado para expandir a liderança na questão. A declaração foi um avanço em relação às palavras de Bush em 2001, quando o presidente havia dito que não ratificaria o Protocolo de Kyoto pois o tratado poderia prejudicar a "economia e os empregos dos americanos".

Ainda assim, não convenceu todos os delegados dos países mais poluidores do mundo, que participavam em Washington da reunião intitulada "Encontro das Principais Economias sobre Segurança Energética e Mudança Climática". "Nós preferiríamos que os Estados Unidos fossem muito mais proativos nos compromissos", disse o diplomata brasileiro. "Você consegue a liderança quando você faz acordos."

Pela manhã, George W. Bush havia feito um discurso em que lançou duas iniciativas: a criação de um fundo internacional de tecnologia limpa para ajudar países em desenvolvimento e aquilo que o líder americano chamou de "livre comércio global de tecnologia energética", que prevê a eliminação de barreiras tarifárias e não-tarifárias para bens e serviços de energia limpa (leia texto abaixo).

O governo norte-americano não trouxe nenhuma idéia ou proposta nova, disse Vargas. "O que vimos foi uma reiteração do que já ouvimos antes." Ele lembrou que o estabelecimento de fundos, por exemplo, já era previsto dentro de Kyoto e afirmou: "Vou ser muito sincero: para mim, a questão não deveria ser de fundos, mas de financiamento. Prover dinheiro sem burocracia para ajudar países em desenvolvimento, especialmente os mais pobres".

Vargas citou como exemplo áreas rurais da Índia e da China que precisam imediatamente de eletricidade, que provavelmente será gerada por carvão, uma fonte "suja" de energia. "Não podemos comparar a emissão gerada ao levar eletricidade a quem não tem àquela dos que simplesmente querem usar SUVs, que emitem 55% mais do que carros normais", afirmou, referindo-se aos enormes carros utilitários esportivos muito populares entre os norte-americanos.

Sobre a segunda proposta, foi igualmente crítico: "O presidente reforçou a importância do etanol como energia alternativa, mas não houve nenhuma menção às tarifas de importação que existem nos EUA para a importação do etanol brasileiro". Hoje, cada galão do biocombustível do país é tarifado em US$ 0,54.

O subsecretário do Itamaraty para Assuntos Políticos defendeu ainda o caráter multilateral do tratado ambiental. "Temos de achar uma maneira de animar os EUA a entrarem no barco do regime multilateral", disse. "Os EUA são parte da Convenção [do Clima da ONU], ratificaram-na, mas recusam qualquer compromisso para reduzir as emissões."

Ecoou ainda o discurso feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da 62ª Assembléia Geral da ONU, na terça-feira. "Um dos pilares de Kyoto é a diferenciação entre os países", disse o diplomata. "O que não podemos ter é um sistema multilateral que no futuro possa agir como uma maneira de congelar o caminho de desenvolvimento de países em desenvolvimento."

Vargas qualificou a reunião de Bush de "brainstorm". "Não estamos negociando nada, isso não é uma negociação", afirmou. "Estamos aqui para um diálogo." A iniciativa de Bush tem sido criticada por acontecer na seqüência de evento semelhante na ONU, em Nova York. Agora, a bola está com Bali. Em dezembro, a Indonésia sediará reunião que iniciará a negociação do acordo que sucederá Kyoto após 2012.

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