Livre-se dos Agrotóxicos

quinta-feira 25 de maio de 2006 por Conceição Trucom

Está chegando o verão e o consumo de frutas, folhas e alimentos crus aumenta. Além disso, a Alimentação Desintoxicante está toda baseada no consumo de alimentos crus, frescos e idealmente cultivados de forma orgânica. Tal cultura trata do solo, da qualidade nutricional do alimento, do agricultor e do eco sistema.

Precisamos cuidar da nossa saúde e do planeta, pois consumir diariamente alimentos contaminados por agrotóxicos, pode causar câncer nas pessoas e inegavelmente prejudicar o planeta. Os agrotóxicos começaram a ser usados em escala mundial após a 2ª grande guerra. Vários serviram de arma química nas guerras da Coréia e do Vietnã, como o Agente Laranja, desfolhante que dizimou milhares de soldados e civis.

Os países que tinham a agricultura como principal base de sustentação econômica - na África, na Ásia e na América Latina - sofreram fortes pressões de organismos financiadores internacionais para adquirir essas substâncias químicas. A alegação era que os agrotóxicos garantiriam a produção de alimentos para combater a fome. Com o inofensivo nome de ?defensivos agrícolas?, eles eram incluídos compulsoriamente, junto com adubos e fertilizantes químicos, nos financiamentos agrícolas. Sua utilização na agricultura nacional em larga escala ocorreu a partir da década de 70.

O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Gasta, anualmente, cerca de 2,5 bilhões de dólares nessas compras. Infelizmente, pouco se faz para controlar os impactos sobre a saúde dos que produzem e dos que consomem os alimentos impregnados por essas substâncias. O DDT (inseticida organoclorado) foi banido em vários países, a partir da década de 70, quando estudos revelaram que os resíduos clorados persistiam ao longo de toda a cadeia alimentar. Estudos demonstraram também a contaminação do leite materno. No Brasil, somente em 1992, após intensas pressões sociais, foram banidas todas as fórmulas à base de cloro (como BHC, Aldrin, Lindano etc). Várias outras substâncias, como o Amitraz, foram proibidas.

A Lei de Agrotóxicos, n° 7802, aprovada em 1989, proíbe o registro de produtos que possam provocar câncer, defeitos na criança em gestação (teratogênese) e nas células (mutagênese). Mas produtos como o Amitraz, e outros que já haviam sido proibidos, continuam sendo comercializados ilegalmente.

Já os perigosos fungicidas - Maneb, Zineb e Dithane -, embora proibidos em vários países, são muito usados, no Brasil, em culturas de tomate e pimentão. Os dois primeiros podem provocar doença de Parkinson. O Dithane pode causar câncer, mutação e malformações no feto.

O Gramoxone (mata-mato), cujo princípio ativo é o Paraquat, é proibido em diversos países. No Brasil, é largamente usado no combate a ervas daninhas. A contaminação pode provocar fibrose pulmonar, lesões no fígado e intoxicação em crianças.

O uso descontrolado, a propaganda massiva, o medo de perda de produtividade da safra, a cultura do “fruto bonito é aquele que as pessoas gostam de comprar”, a não utilização de equipamentos de proteção e o pouco conhecimento dos riscos, são alguns dos responsáveis pela intoxicação dos trabalhadores rurais. Nos nossos principais pólos de produção hortifrutigranjeira (Região Serrana e Médio Paraíba) existem casos de intoxicação por pesticidas. Os riscos não se limitam ao homem do campo. Os resíduos das aplicações atingem os mananciais de água e o solo. Além disso, os alimentos comercializados nas cidades podem apresentar resíduos tóxicos.

Alimentos Contaminados:

Produtos como carne, leite, cereais e hortaliças não são avaliados sistematicamente para detecção de resíduos tóxicos. Entre 1997 e 1998, o Instituto Biológico de São Paulo encontrou resíduos tóxicos em cerca de 27% das frutas disponíveis no comércio. Dessas, 20% tinham resíduos de produtos proibidos. O mesmo estudo, para as hortaliças, mostrou que 44% das amostras estavam contaminadas, sendo que 6% delas, com resíduos de produtos proibidos.

A limpeza de frutas e hortaliças, além de eliminar microorganismos, reduz a contaminação por produtos tóxicos. As frutas devem ser lavadas com água corrente e sabão e descascadas. As hortaliças, além de lavadas, devem ser imersas em água com limão por 20 minutos. Quanto mais bonita a fruta ou hortaliça, mais se deve desconfiar do uso abusivo de agrotóxicos.

O que é a Agricultura Orgânica?

O conceito de agricultura orgânica surge com o inglês Sir Albert Howard, entre os anos de 1925 e 1930, que trabalhou e pesquisou na Índia durante muitos anos. Howard ressaltava a importância da utilização da matéria orgânica e da manutenção da vida biológica do solo. Resumidamente, agricultura orgânica é o sistema de produção que exclui o uso de fertilizantes sintéticos de alta solubilidade, agrotóxicos, reguladores de crescimento e aditivos para a alimentação animal, compostos sinteticamente. Sempre que possível baseia-se no uso de estercos animais, rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas e doenças. Busca manter a estrutura e produtividade do solo, trabalhando em harmonia com a natureza.

Um pouco da história

Segundo Eduardo Ehlers, debaixo do grande guarda-chuva que é o conceito de agricultura alternativa, insere-se a vertente da agricultura orgânica. Debaixo do mesmo guarda-chuva encontramos as chamadas agricultura natural, biodinâmica e biológica.

No início dos anos 30 alguns cientistas alertaram sobre os equívocos do modelo convencional de produção agrícola (uso de insumos químicos, alta mecanização das lavouras, entre outras práticas) não seria este o modelo que garantiria o futuro das terras férteis. Após a 2ª Guerra Mundial, os produtos químicos tornaram-se mais conhecidos, conseqüentemente os agrotóxicos começaram a ser utilizados na agricultura convencional. No entanto, até os anos 70, os defensores da agricultura sustentável eram ridicularizados.

A partir dos anos 60, começam a surgir indícios de que a agricultura convencional apresenta sérios problemas energéticos e econômicos e causa um crescente dano ambiental. Neste período várias publicações e manifestações despertaram o interesse da opinião pública. Na década de 80 o movimento cresce, e na de 90 explode. Cada vez mais surgem produtores orgânicos até chegarmos ao quadro atual, no qual os orgânicos estão presentes nas gôndolas das grandes redes de supermercados.

Os alimentos orgânicos podem ser encontrados nas grandes redes de supermercados, lojas especializadas e nas feiras de diversas cidades do país. Em São Paulo, a AAO possui 5 feiras semanais, onde você pode comprar direto dos produtores.

Veja os endereços:

Parque da Água Branca Dias: terças e sábados das 7h às 12h Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 455 - Perdizes

Parque Previdência Dias: sábados Endereço: R. Pedro Pecinini, 88 - KM 12 da Raposo Tavares

Santana do Parnaíba (Antiga feira de Alphaville) Dias: terças Endereço: Centro de Apoio II, ao lado do ponto de táxi

Ibirapuera Dias: domingos Endereço: Rua Tutóia (estacionamento da Igreja do Santíssimo Sacramento)

Para saber sobre feiras das demais cidades do país pesquise no www.google.com.br e digite no espaço de pesquisa: Feiras orgânicas.

Dicas para minimizar o efeito dos agrotóxicos dos alimentos da cultura convencional:

Observação importante: Para pessoas com doenças de baixa imunidade como o câncer e a AIDs, além das que se encontram em estado de convalescença, recomenda-se o consumo massivo de alimentos de cultura orgânica, evitando ao máximo os alimentos da cultura convencional, muito cozidos ou industrializados.

Alface, batata, maçã e morango: Deixar de molho por 30 minutos numa solução de bicarbonato de sódio e suco de limão, pois existe uma possibilidade de alguns agrotóxicos se desestabilizarem em pH ácido. Depois precisam ser lavados em água corrente. No caso da batata, é indicado também descascá-la. A receita é a seguinte: 1/2 colher de sopa de bicarbonato em pó + suco fresco de 1 limão para cada 1 litro de água.

Tomate, berinjela e pepino: Escolher os mais franzinos e mais maduros, pois com o passar do tempo os venenos vão se dissipando. Evitar consumo diário.

Banana, mamão e laranja: Evitar o mamão papaia e frutas muito bonitas. Livre-se das cascas, após lavá-las muito bem, uma vez que os agrotóxicos estão na superfície. Para tirar proveito das cascas e sementes usar somente frutas de cultura orgânica.

Cenoura e beterraba: Lavar com uma escova macia e limpar bem qualquer resíduo de terra.

Textos compilados das seguintes fontes:

www.sindipetro.org.br/extra/cartilha-cut/11agrotoxicos.htm www.aao.org.br

Conceição Trucom é química, cientista e escritora sobre temas voltados para a Alimentação Consciente, Meditação e autoconhecimento. Email: mctrucom@docelimao.com.br

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