COP 8: Fórum Global da Sociedade Civil – Bem-vindo ao Mundo Real

quarta-feira 22 de março de 2006 por Daniele Sallaberry

Dia Mundial da Água é marcado por manifestação e debate

Manifestações pela passagem do Dia Mundial da Água e do Dia Nacional da Reinvidicação pelo passe livre para estudantes em ônibus de ciruclação urbana levaram centenas de pessoas às ruas de Curitiba nesta quarta-feira (22). Cerca de três mil pessoas, entre movimentos socioambientais e estudantis, concentraram-se no centro da capital e juntos marcharam por mais de duas horas. “Eles (os estudantes) se solidarizam com a nossa causa e nós com a deles”, disse o representante do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), Andre Rota Sena. Ele explicou que o ato dos movimentos sociais tem como objetivo chamar a atenção para o Dia Mundial da Água, “Queremos alertar a população que o mau uso e a privatização dos recursos hídricos estão gerando impactos socioambientais irreparáveis”, enfatizou Sena.

Corrupção e má gestão agravam crise da água

Cerca de 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso adequado à água potável e 2,6 bilhões não contam com saneamento básico. Esses dados constam do Relatório das Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, lançado no início de março deste ano. O documento aponta que as fontes de água potável são abundantes e suficientes para abastecer devidamente toda a população do planeta. Porém, esta distribuição desigual é resultado da má gestão dos recursos hídricos, da corrupção, da falta de instituições adequadas, da inércia burocrática, do déficit de novos investimentos na criação de capacidades humanas e também da falta de infra-estruturas físicas. A ONU alerta ainda que a qualidade da água está diminuindo em muitas regiões do mundo, e que a diversidade dos ecossistemas e das espécies vegetais e animais de água doce está se deteriorando rapidamente.

O mundo real da água

O Fórum Global da Sociedade Civil, seguindo a programação do Dia da Água, promoveu pela tarde o debate: “O mundo real das águas, os poluentes e a biodiversidade: a vida pede passagem”. O evento, aberto ao público, faz parte da programação paralela às reuniões da Oitava Conferência das Partes sobre Protocolo de Cartagena de Biossegurança (MOP3) da (COP8) Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que está acontecendo em Curitiba de 13 até o 31 de março.

“Temos o direito a uma água pura”, exclamou a representante do Grupo de Trabalho Químicos do FBOMS, Zuleica Nycz, que ressaltou a importância da população estar informada sobre a água que está consumindo. “Precisamos conscientizar as pessoas e mostrar a todos que temos o directo de estar consumindo uma água de qualidade”, ressaltou.

A agricultura irrigada, o tratamento inadequado e o desperdício são as principais causas para a crise hídrica que o mundo vive, segundo a representante da Rede Manglar, Soraya Vanini. “A ausência de um programa que vise o uso racional da água faz que, a cada dia que passa, esta situação se agrave mais”, enfatizou. De acordo com Soraya, a solução para este problema passa pela mudança da mentalidade de gestão dos recursos hídricos. “Precisamos instituir uma política nacional que funcione de forma integrada, focada no meio ambiente e não na economia”, afirmou.

Carcinicultura

A criação de camarão em cativeiro, conhecida como carcinicultura, foi um incentivo que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Segurança Alimentar (FAO) encontrou para amenizar o problema do rápido declínio das espécies pesqueiras no mundo há cerca de 15 ou 20 anos. Foi o que explicou durante o painel sobre Biodiversidade e ameaças às zonas costeiras e marinhas – Manguezais e carcinicultura, Roberto Gallucci, representante do Ministério do Meio Ambiente. Gallucci disse que não foram feitos estudos de impactos anteriormente e que agora a alternativa que se apresenta é buscar formas mais sustentáveis de desenvolvimento, que envolvam as comunidades locais e o incentivo para o desenvolvimento da pesca por comunidades locais. Segundo ele, o Ministério do Meio Ambiente está doando fundos do Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF) para o financiamento de projetos na área de manguezais, com o objetivo de promover uma alternativa de uso sustentável e conservação da biodiversidade.

Palestrantes do Brasil e da Índia deixaram claro para a platéia que o problema que atingiu a zona costeira por causa da criação de camarão em cativeiro é globalizado. Chandrika Charma, do Comitê Internacional da Pesca, da Índia, relatou que os problemas causados pela carcinicultura, não somente em seu país, mas na Ásia, não são muito distintos daqueles que acontecem no litoral do Ceará. Segundo ela, esta atividade trouxe o colapso da pesca e da captura do camarão na Ásia, provocando a destruiçãos dos manglares, destruindo a biodiversidade e os recursos pesqueiros, trazendo, ainda, doenças e a destruição de espécies nativas.

O professor Jeovah Meireles, da Universidade Federal do Ceará, e do Programa de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), falou sobre a destruição dos manguezais, no litoral do Ceará, e o impacto causado no meio ambiente pelas fazendas de camarão espalhadas pelo semi-árido. “A carcinicultura é uma atividade que não tem sustentabilidade econômica e que representa uma ameaça seríssima ao litoral, provocando, doenças, desemprego e destruição da biodiversidade pelas agressões que causa ao meio ambiente”, declararam os expositores.

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