Via Campesina diz não à legalização da morte

terça-feira 21 de março de 2006 por Zacharias Bezerra de Oliveira

“A Vía Campesina estará acompanhando, estará pressionando para que sejam tomadas medidas contra a Syngenta em Santa Tereza do Oeste, no estado do Paraná”, declarou, em coletiva de imprensa, na tarde de hoje, Roberto Baggio, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A coletiva aconteceu nas tendas brancas, como parte da programação do Fórum Global da Sociedade Civil, evento paralelo que acontece desde o dia 13, Terceira Reunião das Partes (MOP3) sobre o Protocolo de Cartagena de Biossegurança e se estenderá até o dia 31, quando termina a Oitva Confereência das Partes (COP8) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), inicada esta semana.

Para a Vía Campesina, organização internacional de movimentos sociais camponeses, um dos pontos cruciais da Conferência é a discussão sobre os impactos socioeconômicos da tecnologia das sementes Terminator, que produzem sementes estéreis, o que obriga os camponeses a comprarem novas sementes a cada safra. “A Vía Campesina reafirma que os recursos naturais, como sementes, terra, água, as florestas, entre outros, são a própria vida e patrimônio da humanidade. Por isso, precisam estar a serviço e sob controle das comunidades que as usam e melhoram, protejem e veneram”, diz a nota oficial distribuída durante a coletiva. “Neste sistema, a tecnologia Terminator, que impede os agricultores de conservarem suas sementes e força a compra de novas a cada cultivo, é uma tecnologia imoral e inaceitável. Cria-se sementes homicidas contra os camponeses e beneficia-se apenas as grandes corporações agroquímicas, como a Monsanto, a Syngenta e a Dupont”, continua.

Na coletiva, Baggio declarou que a empresa Syngenta, localizada em uma área ambiental, rica em Biodiversidade estaria, “de forma ilegal”, fazendo experimento com soja transgênica. O dirigente do MST disse que a invasão da multinacional Syngenta Seeds, ocorrida no último dia 16, por membros do MST e da Vía Campesina foi uma forma de buscar preservar a biodiversidade. “Se os camponeses não assumirem para si a tarefa de preservar a biodiversidade as transnacionais vão transformar em mercadoria”, justificou. A idéia de Baggio é que o Governo desaproprie para interesse público e transforme a área da Syngenta em Santa Tereza do Oeste em um projeto institucional para reprodução de sementes de milho crioulo. Esta ação seria, segundo ele, uma política internacional de solidariedade entre os povos.

A camponesa canadense, criadora de abelhas, Karen Pederson, integrante da Nation Farmer Union (NFU), revelou que há cerca de 100 anos os europeus vieram ao Canadá e negociaram as terras e o conhecimento com os indígenas por quase nada. Todos perderam suas terras. “O conhecimento não tem preço, as terras, as sementes não tem valor monetário no mundo que pague; o que eles querem pagar pelo conhecimento indígena é o mesmo preço que eles querem pagar por nossas almas”, explicou. Baggio complementou, explicando, que tanto as sementes, quanto os alimentos, a terra, a água, as florestas, os recursos naturais de forma em geral, o cohecimento e o modo de viver na agricultura não podem ser transformados em mercadoria, em negócio. “O conhecimento deve ser para o benefício de todos”, pontuou.

Para Baggio, qualquer comércio já é uma tentativa de ir privatizando semente, terra, a água a médio e longo prazos. Estes bens, explicou, são bens públicos e irão servir melhor à comunidade se permanecerem como tal. “Se houver comercialização, a grande maioria não irá se beneficiar, portanto, a tarefa atual dos camponeses é ter uma visão de futuro e continuar a luta de preservação do bem comum”, concluiu.

As atividades do Fórum Global da Sociedade Civil acontecem todos os dias na tenda branca na parte detrás do Expotrade e são abertas ao público.

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