Meio ambiente e comunidades são vítimas dos impactos do agronegócio

terça-feira 21 de março de 2006 por Daniele Sallaberry

A expansão das monoculturas de soja transgênica está causando impactos socioambientais irreversíveis e muitas vítimas do agronegócio na América Latina. Foi este o tema de debate do Fórum Global da Sociedade Civil na manhã desta segunda-feira (20). Brasil, Paraguai, Argentina, México, durante mais de duas horas, relataram as suas experiências e criticaram o modelo do agronegócio.

“O mundo está sendo comandado pelas multinacionais”, afirmou Jorge Rulli representante da Rede por uma América Latina Livre de Transgênicos (Relat). Para ele o avanço do agronegócio está provocando, além de impactos profundos na biodiversidade e na sociedade, uma privatização das instituições físicas e técnicas que incorparam o conhecimento e avançam como projeto político.

Já o representante da Terra de Direitos, Darci Frigo, criticou a manipulação, feita através dos meios de comunicação, que mostra o agronegócio como uma boa forma de desenvolvimento. “O agronegócio tenta passar uma imagem de que está salvando a economia brasileira, mas na verdade está cometendo um série de práticas criminosas”, afirmou. Para ele, o agronegócio “quer” produzir dólares e lucros para poucos, “os grandes reponsáveis pela agricultura brasileira são os camponeses”, ressaltou..

“MODELO QUE ATENTA CONTRA A VIDA”

O representante do Movimento Agrário Popular do Paraguai, Jorge Galeano, relatou o que vem acontecendo em seu país. Segundo Galeano, no Paraguai, há dois milhões de hectares de soja transgênica, o que representa 64% da área de cultivo agrícola do país. Havendo um aumento médio de 500 mil hectares anualmente. “Esse avanço tem expulsado das suas terras cerca de 90 mil camponeses por ano”, afirmou. Ele destacou também que o governo paraguaio tem reprimido os movimentos de resitência e ignorado os impactos sociomabientais do agronegócio. “Em 2004, 18 destacamentos militares foram orientados a preteger a soja”, afirmou, acrescentando que duas mil pessoas estão sendo processadas por confrontar o modelo do agronegócio.

A paraguaia Petrona Villasboas, uma mãe que perdeu um filho por causa do agronegócio, contou, em guarani, que em 2001, ela e sua família sofreram intoxicação após a aplicação de glifosato na monocultura de soja transgênica ao lado da sua moradia. O seu filho de 11 anos acabou falecendo em cosequência deste fato. Além de estar enfrentando uma batalha judicial contra os produtores reponsáveis pela morte de seu filho, atualmente, Petrona está engajada na luta contra a expansão do agronegócio. “Meu filho ainda está vivo, ele é símbolo desta luta”, concluiu.

ÁREA INABITÁVEL

O bairro Ituzaiangó, da cidade de Córdoba, na Argentina, é mais uma vítima do agronegócio. A saúde da população local, rodeada por monoculturas de soja transgênica, está comprometida pelos agrotóxicos. Segundo relato da moradora, Sofía Gatica, há uma crise na saúde pública local. “Em uma população de cinco mil habitantes, 300 casos já foram constatados de diferentes tipos de câncer, um alto índice de leucemia, doenças de pele, recém-nascidos com deformações, entre outros”, afirma. Conforme a moradora, estudos recentes encontraram resíduos de agrotóxicos na terra e na água e concluíram que o bairro deveria ser desocupado com urgência. “Quem tem condições já saiu do local mas a maioria depende da iniciativa do governo”, explicou.

RELATÓRIO

Durante o debate foi apresentado o relatório Paraguay Sojero, de autoria do Grupo de Reflexão Rural da Argentina. O documento expõe as violações dos direitos humanos e a destruição da biodiversidade, causadas pela expansão da soja no Paraguai.

O Fórum Global da Sociedade Civil é um evento paralelo às reuniões das Partes sobre Protocolo de Cartagena de Biossegurnaça (MOP3) da (COP8) Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que acontecem em Curitiba de 13 até o 31 de março.

A entrada é livre.

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