Pajelança e bênção no plenário da COP8 em Curitiba

segunda-feira 20 de março de 2006 por Zacharias Bezerra de Oliveira

Cerca de 40 representantes de tribos indígenas de todo o mundo que participam dos eventos paralelos à Oitava Conferência das Partes (COP8), em Curitiba, que teve sua abertura oficial hoje e se extende até o próximo dia 31 encenaram o ritual de acendimento do fogo sagrado, com pajelança para abençoar o recinto e trazer bons fluídos para os participantes da COP8. “Este ritual é para limpar nossas mentes e nossos corações, nós precisamos de governantes que pensem menos no dinheiro, nosso propósito é construir”, declararam no plenário as lideranças indígenas. Para Carlos Terena, do Comitê Intertribal (ITC) estes assuntos que vão ser tratados na Conferência são cruciais para o futuro da biodiversidade e para garantir a preservação do planeta.

“As populações tradicionais serão assoladas com o avanço do trem; se os conhecimentos tradicionais sobre a conservação e uso da biodiversidade foram preservados até agora é porque não estavam disponibilizados para o comércio”, declarou Ailton Krenac, representante do ITC. Ele duvida que este regulamento vá resultar em algo positivo para os povos tradicionais, apesar do artigo 8j da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) mencionar os instrumentos que regulam o comércio internacional e também controlar o acesso e a repartição dos benefícios (ABS - Access and Benefit Sharing), porque “quem vai regulamentar o preçodos bens é a Organização Mundial do Comércio (OMC). O uso de conhecimentos tradionais é muito cobiçado pelas transnacionais por causa de suas propriedades e também porque servem para desenvolver produtos, além de contribuir para reduzir o investimento que as empresas deteriam que fazer para realizar suas pesquisas.

O plenário estava lotado quando os indígenas entraram trajados e pintados, cada grupo seguindo os costumes de sua tribo, os Karajás, representantes da Polinésia, da Oceania, da África, da Europa e das Américas. Na mesa encontravam-se a ministra Marina Silva, o governador do Paraná, Roberto Requião, entre outras autoridades. Todos pararam as atividades para assistir o ritual apresentado pelos povos tradicionais.

Os mais de 200 representantes das tribos indígenas que vieram a Curitiba estão instalados em uma oca, nas proximidades da Tenda Branca, por trás do complexo do Expotrade, onde estão acontecendo as atividades do Fórum Global da Sociedade Civil, evento paralelo, que começou no dia 13 último, durante a Terceira Reunião das Partes (MOP3) sobre o Protocolo de Cartagena e se estenderá até o próximo dia 31, durante a Oitava Reunião das Partes (COP8) da Convenção sobre Diversidade Biológica.

As atividades do Fórum Global seguem amanhã pela manhã, dia 21, com o Dia de Ação contra Terminator – Debate sobre GURTS, Campanha Terminar com Terminator, uma semente estéril, que não germina e cuja moratória será discutida durante esta COP. Para a tarde está prevista uma entrevista da Vía Campesina e o evento Soja – O grão que cresceu demais (vídeo-debate).

O Fórum Global da Sociedade Civil é realizado pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS) durante o período da MOP3 sobre o Protocolo de Cartagena de Biossegurança e a COP8 sobre a Convenção de Diversidade Biológica, de 13 a 31 de março, em Curitiba, Paraná.

O Fórum Global da Sociedade Civil é aberto ao público.

Informações e programação: www.fboms.org.br/eventos/cop8.htm

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