OVMs significam morte

sexta-feira 17 de março de 2006 por Zacharias Bezerra de Oliveira

Nas tendas brancas estendidas por trás do EXPOTRADE, espaço democrático onde acontece o Fórum Global da Sociedade Civil, evento paralelo realizado durante o encontro da MOP3 sobre o Protocolo de Cartagena e sobre a Biossegurança e que se estenderá também durante a COP8, a Convenção sobre Diversidade Bioloógica (CDB) as exposições e trocas de experiências continuaram durante a manhã de hoje. O encontro é promovido pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS) e a Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos.

Farida Akhter, da Ubinig, Bangladesh, organização que realiza políticas para um desenvolvimento alternativo, disse que os Organismos Vivos Geneticamente Modificados (OVMs) são a garantia de que a nossa vida está 100% perdida. “Assim como ninguém sabe por que o sol nasce no Leste e se põe no Oeste, por que existem maré alta e maré baixa, por que há vales e montanhas altas, ninguém sabe para que servem os OVMs; é como estar dentro de um barco que afunda e não saber nadar, sua vida estará 100% perdida”, comparou.

Em Bangladesh, informou Farida, quando começaram as importações de óleo de soja da Argentina, do Brasil e dos Estados Unidos, foi proibida a comercialização do óleo de mostarda, acabando com a cultura e uma fonte de rendal local. “Nós damos nosso total suporte a esta luta contra os transgênicos; não queremos esta semente que não germina, porque, para nós, a semente é vida, é alegria, é poder compartilhar, é a comunhão de todos nós juntos”, concluiu.

É GUERRA

Ao falar sobre a privatização dos recursos genéticos e a agricultura familiar, Silvia Ribeiro, do grupo ETC, deixou claro que a privatização é uma guerra. “Tudo vem da criação camponesa indígena; foram os camponeses que fizeram essa criação coletiva, descentalizada, assim, o conhecimento que os camponeses têm sobre a terra, sobre as sementes, sobre a interação com o meio ambiente é maior que qualquer ciência, maior que qualquer universidade, ou que qualquer laboratório e é algo coletivo, que precisa ser compartilhado”, declarou. Segundo ela, a transgenia é uma forma que as grandes empresas acharam para criar uma dependência nos agricultores para vender-lhes agrotóxicos e sementes.

Silvia citou as empresas Monsanto, Bayer, Aventa, Syngenta, ADM, Cargill, Dupont, Pioneer, Dao e Basf como sendo detentoras de metade do mercado mundial de sementes. Acrescentou que a semente Terminator, ou exterminadora, cuja moratória estará em discussão durante a COP8, a partir do dia 20, é um grão que não germina porque é estéril. “A Monsanto, é proprietária de 90% do comércio dessas sementes”. Segundo ela, as indústrias Coca Cola, Pepsi, Nestlé, Unilever e Danone mantêm o monopólio da indústria de alimentação e da comercialização da água. E o WAL-MART é uma das maiores e mais poderosas empresas do mundo.

NOSSO FUTURO COMUM

Chukki Najundaswamy, da Índia, da Vía Campesina da Ásia do Sul, declarou que a luta contra os transgênicos é global. Ela citou o exemplo da B. T. Cotton, transnacional algodoeira, que se instalou na Índia a partir de 1998, espalhando extensos campos de algodão e expulsando os agricultores de suas regiões. “A engenharia genética não é ciência, ela é ruim, porque ela contraria a natureza”, explicou.

Chukki reclama ações democráticas mais enérgica contra as políticas de comércio que os governos querem impor. Mas para ela, esta não é apenas uma luta contra os OVMs, como algo que não é saudável e que destrói a biodiversidade. “O que está em jogo aqui é o nosso futuro comum, é o nosso direito de poder viver, e isto não pode mais ser adiado; queremos um mundo com gente, não queremos um mundo só de companhias”, finalizou.

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