Conferência sobre Reforma Agrária começa hoje em Porto Alegre

terça-feira 7 de março de 2006

Adital - Depois de um período de quase 30 anos, o organismo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) volta a discutir a reforma agrária em escala internacional.

A II Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR) inicia hoje os seus trabalhos, em Porto Alegre, que se extendem até o dia 10 de março, no Centro de Estudos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com a participação de governos de países relacionados com a ONU.

Segundo informações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), paralelamente à atividade oficial, será realizado o Fórum "Terra, Trabalho e Dignidade", formado por mais de 30 entidades da sociedade civil, ONGs e movimentos sociais, entre 06 e 09 de março, também na PUCRS. Cerca de 400 pessoas acompanharão como observadores o debate da FAO e discutirão temas como as políticas do Banco Mundial, a reforma agrária de mercado, a soberania alimentar e a criminalização dos movimentos sociais.

A Vía Campesina, entidade internacional formada por organizações de camponeses, também promove atividades e montará um acampamento com mais de 2 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais, em Porto Alegre, entre 06 e 10 de março. O acampamento reunirá trabalhadores sem terra, pequenos agricultores, jovens e mulheres camponesas e afetados pelas represas (principalmente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina), que farão um contraponto aos debates promovidos na conferência oficial.

Entre as iniciativas da Via Campesina Brasil, estão atividades na capital gaúcha contra as políticas do Banco Mundial para a agricultura e pelo cumprimento dos compromissos do governo federal, previstos no II Plano Nacional de Reforma Agrária e no acordo firmado depois da Marcha Nacional pela Reforma Agrária. Os acampados participarão também de um seminário sobre Reforma Agrária, Soberania Alimentar e políticas de organismos internacionais para a agricultura.

Debate de idéias

O conjunto de atividades deve colocar na mesa de discussão os modelos de reforma agrária propostos por organismos internacionais, governos e movimentos sociais. Outro ponto de crítica dos movimentos sociais é a influência de agências, como o Banco Mundial, nas políticas agrícolas, incentivando os países pobres que optem pela mercantilização da terra.

"O Banco Mundial defende apartar toda questão social da reforma agrária e transformá-la numa questão de mercado, em mercadoria. Apenas quem tem dinheiro terá acesso", afirma Cedenir de Oliveira, da coordenação do MST no Rio Grande do Sul.

Estas jornadas coincidirão também com grandes mobilizações de camponesas previstas para o dia 08 de março, Dia Internacional da Luta das Mulheres.

Fonte: Adital

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