Projeto popular de agricultura camponesa e as muheres

quarta-feira 1º de março de 2006

O contra-ponto ao agronegócio e ao modelo de agricultura centrado no latifúndio e no uso de venenos é a agricultura camponesa que vem resistindo ao longo dos tempos e produzindo alimentos.

Este árduo trabalho é feito pelas pessoas que fazem parte da unidade familiar, lutando e resistindo para manter sua identidade. A identidade das camponesas é definida pelo trabalho, sua ação política e social e pela relação com a natureza, as mulheres camponesas podem ser identificadas como trabalhadoras rurais, agricultoras, ribeirinhas, quebradeiras de coco, lavradoras, extrativistas, colonas...

Ao longo da história, as mulheres camponesas vêm tendo papel decisivo na construção da resistência camponesa, potencializando o conhecimento sobre a preservação, produção e multiplicação das plantas e animais, enraizando na relação intima de apego e respeito à terra.

Este modelo de vida se mantém hoje como a principal atividade produtora dos alimentos que vão para a mesa da população brasileira.

Dados do IBGE (1995/6) revelam que a maioria dos alimentos são produzidos nas pequenas propriedades:

• 87,7% das aves abatidas,

• 91,9% da produção de mandioca,

• 78,5% da produção do feijão,

• 60,6% da produção de trigo,

• 76,4% da produção de tomate,

• 75,3% da produção de batata,

• 85,4% da produção de banana,

• 97% da produção de uva,

• 71,5% da produção de leite,

• 77,7 da produção de ovos,

• 87,3% da criação de suínos, entre outros. (cf. IBGE 1995/6).

Estes dados comprovam a importância da Agricultura Camponesa para o povo e para o Brasil. Queremos ressaltar também a grande quantidade de alimentos produzidos e consumidos pelas próprios camponeses e camponesas que não são contabilizados nos dados oficiais.

Por isso, o Movimento de Mulheres Camponesas entende que é preciso avançar na implementação do Projeto de Agricultura Camponesa , fundamentado nos princípios da agroecologia:

• Cuidado com a natureza;

• Respeito ao ciclo natural da vida, sem alteração genética;

• Valorização e reconhecimento do saber popular, fruto da herança e do conhecimento da vida;

• Potencialização do bem estar, do belo... como forma de viver dignamente no campo;

• Compromisso coletivo do trabalho e responsabilidades como cuidado das filhas e filhos, idosas e idosos, saúde, educação, embelezamento... enfim na produção e reprodução da vida cotidiana;

• Conservação, preservação e multiplicação da biodiversidade, inclusive para possibilitar o auto-sustento e a renda;

• Controle dos meios de produção, trabalho e consumo pelas camponesas e caponeses;

• Produção sem o uso de químicos: adubos (fertilizantes), agrotóxicos (venenos);

• Proteção das nascentes, fontes, rios e recursos hídricos, com aproveitamento das águas das chuvas;

• Preservação das matas e florestas;

• Investimento público na ciência, tecnologia e pesquisa para a agricultura camponesa agroecológica;

• Soberania alimentar com autonomia para decidir sobre a produção;

• Organização coletiva do núcleo familiar e produtivo, partilhando o poder de decisão e implementação;

• Dar valor político, econômico, social e cultural ao trabalho e à produção camponesa, produzindo alimentos saudáveis, organizando os mecanismos de distribuição para a classe trabalhadora, valorizando e reconhecendo a contribuição histórica do trabalho das mulheres, tanto na família, como na sociedade;

• Que a água, a terra e as sementes sejam patrimônio dos povos a serviço da humanidade; • Valorização e conhecimento do saber, valor e uso das plantas medicinais;

• Reforma agrária com o fim do latifúndio;

• Estabelecimento do limite da propriedade da terra;

• Nas Políticas públicas voltadas ao campo: saúde, previdência, crédito, seguro, transportes, estradas, lazer, moradia, saneamento básico, controle sanitário, educação...;

• Valorização e incentivo do artesanato local, inclusive como geração de renda;

• Recuperação das relações de solidariedade;

• Mudança nas relações humanas, respeitando as diferenças, com o fim da violência, opressão, discriminação e dominação contra as mulheres e a classe trabalhadora;

• Recuperação e manejo do solo de forma ecológica com aproveitamento dos recursos naturais existentes;

• Fortalecimento da arte e da cultura camponesa: crenças, rezas, rituais, visitas, pratos mutirões de trabalho, danças, rodas de viola, literatura de cordel, repente e festas típicas...;

• Participação efetiva das mulheres em todos os espaços de decisão sobre a produção, o patrimônio, as relações humanas, políticas e comunitárias;

• Recuperação, preservação e multiplicação das sementes crioulas ou tradicionais;

• Valorização da renda gerada pelas mulheres, construindo uma rede popular de comercialização de alimentos e outros produtos.

• Uso dos produtos naturais de forma justa e equilibrada.

Movimento de Mulheres Camponesas

8 de março de 2006 Dia Internacional da Mulher.

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