Marina abre a II CNMA

sábado 10 de dezembro de 2005 por Zacharias Bezerra de Oliveira

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abre a 2ª Conferência Nacional do Meio Ambiente. (Foto Valter Campanato/ABr)

A II Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA), com o tema Política Ambiental Integrada e Uso Sustentável dos Recursos Naturais teve a sua abertura numa chuvosa tarde deste sábado, dia 10, no Marina Hall, Brasília (DF). Cerca de 2 mil pessoas, incluindo delegados e delegadas eleitos em Conferências Estaduais realizadas em todo o Brasil, estarão reunidas até a próxima terça-feira, dia 13, para discutir e deliberar sobre as políticas ambientais para o país. O objetivo é dar continuidade ao debate nacional sobre política ambiental.

Marina Silva fez questão de agradecer a todos os responsáveis pela organização, fazendo menção especial ao “amigo e companheiro” Pedro Ivo Batista, coordenador geral da Comissão organizadora da II CNMA. Ela advertiu que é necessário nos colocarmos na condição de representantes para podermos fazer a mediação de conflitos de interesse. “Estamos errados quando pensamos que o interesse de um pode se sobrepor ao interesse dos outros”, destacou.

A ministra respondeu às críticas que circularam, sobretudo na Internet, nas últimas semanas, que 70% das deliberações da Primeira Conferência já estão em processo de elaboração. “Posso dizer que das 600 resoluções aprovadas na I CNMA, EM 2003, cerca de mais de 300 dependem dos estados e municípios”, explicou. Ela deixou claro também que foi convidada pelo presidente Lula para o Ministério do Meio Ambiente “não para fazer política do Ministério, mas para fazer política de governo”, enfatizando, entretanto, que antes de tudo “precisamos fazer política de país”.

Marina criticou os que reclamam que o Ministério “está cheio de ambientalistas”, como se isso fosse algo nocivo para as atividades da Pasta. “Ninguém reclama porque o Ministério da Educação está cheio de educadores, de economistas no Ministério da Fazenda ou de agrônomos no Ministério da Agricultura; a gente (referindo-se a sua equipe) está aqui porque tem idéias, tem princípios e propósitos e acredita em algo que depende de nós”, pontuou.

Fazendo um verdadeiro balanço de sua gestão frente ao Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva ressaltou que a preocupação primordial foi não ficar satanizando a gestão anterior. “Resolvemos dar continuidade às coisas positivas que encontramos na área ambiental, citando como exemplos o artigo 225 da Constituição Federal e a própria criação do Ministério do Meio Ambiente”, disse Como balanço positivo de sua gestão, Marina citou a redução de 31% do desmatamento na Amazônia, colocando como desafios para a sua gestão, ainda, o manejo de florestas. Segundo ela, a melhor forma de proteger as florestas é dando viabilidade econômica e sustentável para os produtos da floresta.

TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO

Quanto à transposição do rio São Francisco, ela explicou que foi realizado um reposicionamento do projeto da transposição de 149 m3/s de água para uma vazão de 26 m3 e que espera ver aprovada a PEC da revitalização do São Francisco. Marina defendeu que se faça uma agenda para o semi-árido brasileiro, com um programa de desenvolvimento sustentável para a região. “Muitos que criticam são os mesmos que jogam esgotos in natura no São Francisco”, denunciou.

TRANSGÊNICOS

No que diz respeito aos transgênicos, a ministra reconheceu publicamente ter sido derrotada. “A proposta do Ministério não foi aprovada no Senado, mas o Senado é soberano; para além da ministra, quem foi derrotado foi o país, foi o artigo 225 da Constituição Federal e, além do mais, só não é derrotado quem não tem propostas para fazer ou aquele que, covardemente, se entrega antes de fazer a disputa. Ela conclamou a todos, Governo, ONGs, sociedade Civil para reconhecerem as suas próprias conquistas. “Eu quero olhar de baixo para cima, pois acima de mim está este país, acima do Ministério estão 180 milhões de brasileiros e é olhando de baixo para cima que nós construiremos este país”, conclui. O público foi ao delírio e aplaudiu de pé gritando “MARINA, MARINA, MARINA...”.

SOCIEDADE CIVIL

A representante da Sociedade Civil, Maria Dolores Feitosa, de Tauá, Ceará, conclamou a todos os presentes a se juntarem para cuidar do Brasil, construindo o que será o desenvolvimento sustentável para todos os rincões do Brasil. “É necessário que lutemos lado a lado, povo, empresários, governo, sociedade civil para que cada um tenha meios de conseguir o seu próprio alimento”, frisou. Dolores conclamou a todos os presentes a deixarem de lado os fatores exógenos – o Governo Federal que não dá o repasse, a prefeitura que não ajuda, o Governo Estadual que não faz a sua parte -, pois, segundo ela, são os atores endógenos – nossa consciência, nossa vontade que nos devem mover para ir até o fim. “Que as autoridades aqui presentes nos integrem em suas ações, que nos façam partícipes de um futuro melhor para todos”, concluiu.

Foi assinado, ainda durante a cerimônia de abertura, convênio com o representante da KFW, Alfred Schweitzer, para implementação de dois corredores ecológicos. O embaixador da Alemanha no Brasil, Friedrich Pratz, advertiu que a cooperação é importante, mas ressaltou que o trabalho de conservar o meio ambiente brasileiro e preservar a maior biodiversidade do planeta é de responsabilidade de todos os brasileiros e brasileiras. “Esta II CNMA é um trabalho de inclusão e solidariedade e o seu sucesso depende do trabalho de todos, desde os governos Federal, Estadual e Municipal, até a sociedade civil”, frisou.

Letícia Sabatella durante a abertura da 2ª Conferência Nacional do Meio Ambiente. (Foto Valter Campanato/ABr)

A atração cultural deste primeiro dia de abertura da II Conferência Nacional do Meio Ambiente ficou por conta de Marcos Viana e Orquestra com a belíssima canção “Assim falou padim Ciço” e Ave Maria da Natureza, com os acordes da melodia de Gounod. Letícia Sabatella, fechou a noite interpretando Volver a los 17 e lendo o Credo da Ecologia Total, de D. Pedro Casaldáliga; interpretou também uma prece para as populações ribeirinhas do São Francisco, música de Tim Rescala. “Vivemos em função desse rio, não permitiremos esse rio morrer”, diz o refrão.

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