Jornalismo Ambiental

segunda-feira 17 de outubro de 2005 por Zacharias Bezerra de Oliveira

A cidade de Santos, São Paulo, reuniu na última semana cerca de 500 profissionais de quase 20 estados brasileiros, e de países como a Colômbia, Equador, Uruguai, Cuba, Portugal, para trocar experiências e discutir os rumos do Jornalismo Ambiental no Brasil. A Formação em Jornalismo Ambiental foi apenas um dos importantes temas discutidos no I Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental. A professora de Jornalismo Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ilza Girardi, destacou que para se trabalhar com jornalismo é preciso adotar uma visão sistêmica. “Devemos saber que fazemos parte de um todo”.

O professor do curso de Jornalismo Ambiental da PUC Rio de Janeiro, André Trigueiro, considera fundamental a formação do jornalista na área ambiental para se pensar em mudar alguma coisa no jornalismo. “Não é possível admitir que a formação do jornalista seja completa sem a variável ambiental”.

Os cursos de Comunicação Social oferecidos pelas oito faculdades públicas e particulares de Fortaleza, Ceará, não possuem em sua grade a disciplina de Jornalismo Ambiental. Citando o professor da ECA/USP, Wilson da Costa Bueno, considero que o jornalista precisa saber que tem uma missão “além de cumprir pautas e horários”. O jornalista precisa saber que todos os temas perpassam a vertente ambiental, seja para falar de esporte, economia marketing ou qualquer tema. Não podemos continuar pensando que meio ambiente diz respeito apenas a bicho de floresta, flora, fauna e conservação das dunas, rios e lagos. O jornalista precisa saber, por exemplo, que a transposição do rio São Francisco ou a instalação de uma Refinaria podem trazer mais danos para a natureza que desenvolvimento econômico e sustentável para a região. Este desenvolvimento não é sustentável porque degrada o meio ambiente, agrava a pobreza e aumenta o abismo que separa os mais ricos dos mais pobres. O jornalista precisa saber que, muitas vezes, o desenvolvimento sustentável tão apregoado pelos governos, nem sempre é tão sustentável assim, porque as empresas terminam não pagando impostos e os salários oferecidos são de acordo com a região, ou seja, menor que o praticado em seus locais de origem.

Está na hora das universidades pensarem em um pacote mínimo de disciplinas ambientais em seus cursos de jornalismo, publicidade e marketing e de formação em assessoria de imprensa. O publicitário também precisa desse tipo de informação. Ele deve ter um mínimo de consciência do impacto ambiental que representa, por exemplo, a instalação em série de complexos como o Alphaville, de condomínios que estão “consumindo o Cocó pelas beiradas” ou de complexos turísticos na Praia de Fleixeiras e na Serra de Baturité.

Em Fortaleza nós já temos jornalistas com mestrado no Programa de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), da UFC, que estão aptos a ministrar disciplinas sobre jornalismo ambiental, caso elas venham a ser adotadas nos currículos das universidades. O Prodema poderia, portanto, ser o pontapé inicial para a oferta de disciplinas ambientais nos cursos de jornalismo nas universidades onde o programa existe.

Quando isso acontecer, não precisaremos mais falar de jornalistas ambientais ou de jornalismo ambiental. Seremos todos simplesmente jornalistas. Sem “achismos” e sem “dogmas”, conscientes do nosso papel de informar com discernimento, fundamentação e imparcialidade, sabendo que tudo está relacionado, faz parte de um sistema. Não dá para separar o ser humano da natureza.

Assinaturas: 0

Fórum

Associação Civil Alternativa Terrazul,

Rua Goiás No 621. Bairro: Pan-Americano. Cep: 60441000 Fortaleza - Ceará - Brasil

E-mail: alternativa.terrazul@terra.com.br tel: + 55 85 32810246

Alternatives International

Data Nome Mensagem