I Encontro de Consumidores Conscientes do Ceará

terça-feira 24 de maio de 2005 por Zacharias Bezerra de Oliveira

O I Encontro de Consumidores Conscientes do Ceará, realizado pela Associação Alternativa Terrazul, de 20 a 22 de maio de 2005, terminou com a eleição dos coordenadores e coordenadoras provisórias dos coletivos do Estado para a formação da Liga de Consumidores Conscientes do Ceará. No II Encontro, agendado para setembro próximo serão eleitos e efetivados os coordenadores e coordenadoras permanentes.

Após a apresentação do coral infantil dos Índios Tapeba, que cantou o tema “A gente quer a Terra em nossas mãos”, a presidenta da Associação Alternativa Terrazul, Raquel Rigotto, ressaltou, durante a abertura do Encontro, realizado nas instalações do SESC, de Iparana, Ceará, que “a dor necessariamente não faz parte da vida”. Segundo ela, a espécie humana, as sociedades humanas têm feito muita bobagem. “Por isso há tanta desigualdade, soberba e individualismo”. Raquel explicou que o povo tem poder e precisa aprender a exercitar esse poder. “Se existem mídias, empresários, ideologias que são fortes, nós também temos a nossa força para saber escolher que tipo de produto nos interessa”, concluiu.

A secretária executiva da Alternativa Terrazul, Maria do Socorro Gonçalves deixou claro que a formação da Liga de Consumidores e Consumidoras Conscientes do Ceará, que tem o apoio da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, e do Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (CFDD), é um projeto coletivo de todos que fazem a Associação Alternativa Terrazul.

O titular da Secretaria de Meio Ambiente de Fortaleza, Pedro Ivo Batista, disse que encontro deveria ser feito com muita união e muitas diferenças. “Que as diferenças venham para somar”. Pedro Ivo citou Leonardo Boff desejando que a Liga contribua para que “possamos ter realmente um meio ambiente inteiro para todos os seres vivos”.

Para Isabel Lopes, secretária do Procon de Fortaleza, a humanidade ainda está aprendendo a ser humano. Isabel enfatizou que cada um precisa se perguntar como está se relacionando com o outro, pois o consumo consciente começa dentro de cada um. “Tudo que está dentro da gente está fora: ódio, grandeza, leveza, inveja etc.; é necessário, portanto que cada um se pergunte que tipo de consumo está fazendo”.

Palestrantes

O professor Auto Filho, coordenador do Movimento de Conselhos Populares de Fortaleza (MCP) falou sobre a organização popular independente e democrática, relatando a experiência do MCP. O objetivo do MCP, segundo Auto Filho, é organizar um milhão de fortalezenses em conselhos populares de bairros. Para ele, a democracia representativa fracassou para atender os direitos humanos e básicos das pessoas. “No Brasil, somos 183 milhões de brasileiros, governados por um presidente da República, 513 deputados, 82 senadores; o Estado do Ceará tem sete milhões de habitantes comandados por um governador e o município de Fortaleza, uma prefeita para atender cerca de três milhões de pessoas”.

Auto Filho disse que os 500 anos de democracia representativa em nada contribuíram para melhorar o mundo. “A degradação ambiental, o desemprego – um bilhão de desempregados no mundo -, a ameaça de guerra nuclear e bacteriológica e o surgimento de governos totalitários, como o de George W. Bush, são os quatro cavaleiros do Apocalipse”, acrescentou. Ele prega, portanto, a democracia participativa, em que cada um deve assumir o exercício diário da política. “Uma estrada de mil léguas começa com o primeiro passo; o governo começa em nossa escola, em nosso bairro, em nossa rua, em nossa casa e já”, enfatizou.

Auto Filho destacou, ainda, que a Liga de Consumidores Conscientes deve ter pelo menos três princípios básicos: “primeiro, a participação de todos e de todas; segundo, independência em relação ao Estado, e terceiro, não ligação com partido político, seja ele qual for”.

“A sociedade nasce de um povo que se junta e que busca conhecimento”, assim começou a sua exposição a representante do MST, Nenen, falando sobre o começo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, embaixo de uma mangueira em Goiânia, Goiás. Segundo ela, foi preciso estudar as ligas camponesas, Canudos, os contestados e percorrer um longo caminho para que o MST pudesse chegar aonde chegou. “Precisamos pensar no caráter social e sindical da reivindicação política (não partidária) que cada um de nós precisa fazer e saber onde queremos chegar”, explicou. Nenen disse, ainda, que o modelo atual de desenvolvimento é um modelo que exclui. “Em vez de reforma agrária, temos latifúndios que se juntam com os banqueiros, com os donos das sementes, das terras e altas tecnologias, que expulsam o homem do campo e destroem o meio ambiente, espalhando um rastro de destruição social, transformando meninas em prostitutas”.

O secretário executivo da Federação Brasileira de ONGs e Movimentos Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Temístocles Marcelos, falou da preocupação com a presença do homem e com o manejo, destacando também a necessidade de se formar uma Liga independente em relação a governos e partidos políticos. “Essa liga deve ter resguardada a sua independência e autonomia”, enfatizou. Ele sugeriu também que a organização por temas poderia dar maior dinamização à Liga, como, por exemplo, uma temática ambiental e de sustentabilidade.

A abertura do I Encontro de Consumidores Conscientes do Ceará terminou com a apresentação do músico Manassés, seguido com um coquetel servido aos participantes.


Encontro elege coordenadores regionais da Liga de Consumidores
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