Fortaleza: crise urbana e degradação ambiental

segunda-feira 18 de outubro de 2004 por terrazul

Fortaleza vive profundas e prolongadas crises:

* uma crise econômica, caracterizada pelo desemprego crônico de mais de 100 mil pessoas, que há pelo menos 15 anos procuram mas não encontram onde trabalhar, e pela concentração da riqueza nas mãos de uns poucos ricos que vivem luxuosamente cercados por um mar de miséria;

* uma crise social, cuja marca mais visível é a existência de 700 mil favelados, seres humanos que vivem em casebres plantados na lama ou debaixo das pontes e viadutos

* uma crise política, marcada pelo monopólio do Poder Público ( Prefeitura e Câmara de Vereadores) por um pequeno e corrupto grupo de políticos profissionais que utiliza o dinheiro oriundo dos impostos para tornar os ricos mais ricos.

* uma crise urbana, com a cidade dos pobres desprovida do mínimo de equipamentos e serviços urbanos, em guerra civil subterrânea contra a cidade dos ricos, que concentra os equipamentos e o que funciona dos serviços urbanos acarretando no intenso e rápido aumento da criminalidade.

* uma crise ambiental, com o aterramento ou poluição de praias, lagoas, rios e riachos, a destruição da arborização pública e privada, a contaminação de poços e cacimbas e a redução do lençol freático pela asfaltagem maciça e idiscriminada do sistema viário, para atender ‘a especulação imobiliária e um sistema de transporte montado segundo a lógica do automóvel e não do transporte de massa, portanto socialmente irracional;

* e, finalmente, uma crise cultural, que impede aos homens e mulheres do povo, jovens e adultos, de terem acesso aos benefícios civilizatórios da arte, da literatura e do lazer saudável.

A destruição dos recursos naturais, a poluição do meio ambiente, a degradação social pela miséria , a dilapidação do patrimônio artístico e histórico-cultural, a desorganização urbanística e o pauperismo cultural do povo, elementos basícos dessa crise estrutural, resultam da vitória da lógica do Capital sobre a lógica da Cidadania. A lógica do Capital se manifesta na vida da cidade por duas linhas distintas mas convergentes. Uma, cujo principal agente direto é o empreiteiro capitalista, traduz-se na especulação imobiliária, o maior responsável pela desfiguração e desorganização urbanística de Fortaleza e pela violência social difusa contra a população pobre e marginalizada.

A outra linha de política urbanística que traduz a prevalência da lógica do Capital tem como agente direto o próprio Poder Público, tanto estadual como municipal. A intervenção pública, principalmente da Prefeitura, sobre os espaço urbano sustenta, protege e incentiva a especulação imobiliária e a empresa capitalista.

Teoricamente, a superação da crise estrutural de Fortaleza dar-se-á quando a lógica da Cidadania se tornar predominante, derrotando a lógica do Capital. Na prática, a completa reversão das lógicas só pode resultar de uma transformação socioeconômica e político-cultural do pais.

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