Que tipo de cidade queremos?

quinta-feira 2 de fevereiro de 2006 por Maristela Crispim

Os conceitos de governança e responsabilidade na gestão estão provocando uma verdadeira revolução na administração pública. Nesse contexto uma série de controles e processos vem sendo desenvolvida e implementada mundialmente, nas diversas esferas de governo, nacionais ou locais. Esse processo, ainda em curso, merece aprimoramento e ampliação na administração pública municipal. A necessidade de desenvolver soluções inovadoras e melhorar o aproveitamento dos recursos - naturais, humanos, técnicos, financeiros, etc. - visando melhores condições de vida e a sustentabilidade das cidades motivaram a PricewaterhouseCoopers a desenvolver o projeto batizado “Big Cities of the Future”.

O objetivo do projeto, desenvolvido em âmbito global, é propiciar um fórum para o debate e a troca de experiências entre os líderes dos governos municipais e identificar os desafios e oportunidades enfrentados. O primeiro fruto desta iniciativa é o relatório da pesquisa “Cidades do Futuro - Competição global, liderança local”, que reúne as opiniões de 44 líderes de cidades de vários continentes.

Eles foram questionados sobre os desafios que enfrentam interna e externamente, as soluções encontradas e seus planos para o futuro. O Brasil e a Argentina são os únicos países das américas do Sul e Central a participar do projeto. Duas cidades brasileiras estão contempladas na pesquisa: São Paulo e Jundiaí (SP).

A escolha foi baseada em critérios distintos. A primeira, por suas dimensões e complexidade administrativa e a segunda, pelo ritmo de crescimento e suas perspectivas futuras. No caso de São Paulo, optou-se por considerar não apenas a cidade, mas o contexto de metrópole, analisando os aspectos que envolvem a Região Metropolitana de São Paulo (mais de 30 municípios envolvidos).

A elaboração de um plano estratégico para o futuro é o principal desafio apontado por Martus Tavares, secretário de Planejamento do Estado de São Paulo e especialista em questões urbanas, para a administração pública que, no Brasil, se tornou exclusivamente reativa. “Sem uma visão de futuro e foco em planejamento de longo prazo, nós não estaremos preparados para fazer uso dos melhores recursos disponíveis”, diz.

O relatório inclui, ainda, cidades como Amsterdã, Barcelona, Joanesburgo, Melbourne, Montreal, Oslo, Valência e Yokohama, entre outras.

MEGATENDÊNCIAS — Apesar das diferenças culturais, geográficas e econômicas, as cidades em todo o mundo enfrentam desafios muito similares. Partindo da previsão de que, em 2030, 60% da população mundial estará vivendo em grandes centros urbanos, a PricewaterhouseCoopers buscou identificar os desafios e as tendências enfrentadas pelos líderes municipais na formulação de suas estratégias, de forma a garantir a sustentabilidade e a harmonia para os cidadãos dos centros urbanos.

Líderes de mais de 40 cidades de todo o mundo foram entrevistados no decorrer de um ano na pesquisa “Cidades do Futuro - Competição global, liderança local”. O resultado foi a identificação de “megatendências” que, apesar das particularidades de cada cidade, estão presentes no dia-a-dia de todos os governos municipais. São elas: globalização, individualismo, integração, imediatismo, novas tecnologias, preservação (cultural e ambiental), mudança no perfil demográfico, urbanização e migração.

“As grandes cidades são as locomotivas das sociedades do futuro e os desafios gerados para seus administradores têm sido cada vez maiores, na abrangência e na complexidade”, afirma Paulo Miron, sócio e líder de serviços governamentais da PricewaterhouseCoopers. Segundo ele, questões tipicamente públicas como explosão da população urbana, a mudança no perfil demográfico e a segurança pública dividem a atenção do administrador público com itens comuns à iniciativa privada, como a velocidade e o acesso à informação, a concorrência, transparência e a formação de gestores.

OPORTUNIDADES E AMEAÇAS — Essas megatendências globais significam, ao mesmo tempo, oportunidades e ameaças. O planejamento estratégico para o futuro deve contemplar a análise desses tópicos e seus reflexos em termos práticos. São questões complexas e dinâmicas que constituem o maior desafio para os gestores municipais.

“O binômio restrição de recursos versus necessidades crescentes se intensificará, demandando soluções cada vez mais criativas. Inovação e boa gestão já aparecem como aspecto marcante em algumas das cidades pesquisadas, mas vão se tornar requisito para o sucesso de qualquer administração daqui para frente”, diz João Lins, sócio da PricewaterhouseCoopers.

Os principais problemas citados pelos entrevistados, são o envelhecimento da população, a mudança na ordem econômica com o aumento do desemprego e o fim do trabalho estável, as catástrofes naturais (epidemias), questões de segurança, migração e imigração (tanto de pessoas quanto de conhecimento), segregação e pobreza, desenvolvimento sustentável e crescimento econômico local e global, gestão ambiental, consumo e custo de energia, acesso à moradia, transporte público eficiente e estradas modernas, competição entre cidades e regiões (nacional e internacional) e a melhoria do diálogo entre os cidadãos, o funcionalismo público e os líderes municipais.

“A pesquisa identifica as novas perspectivas para as grandes cidades na visão dos administradores, seus desejos, conhecimentos, motivação e criatividade na busca de um caminho para desenvolver uma administração estratégica. O futuro requer a definição de uma estratégia na gestão das grandes cidades, que independe dos administradores e de seus partidos, mas que leva em consideração suas vocações naturais e as tendências atuais, os requisitos de desenvolvimento e as necessidades dos cidadãos”, diz Miron.

SERVIÇO: O relatório completo da pesquisa “Cidades do Futuro - competição global, liderança local” está disponível para download no endereço: www.pwc.com/government

Fonte: Diário do Nordeste (1/2/2006)

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