Pela criação das UCs na floresta com araucárias

sexta-feira 9 de setembro de 2005

As oito unidades de conservação prometidas pelo Ministério do Meio Ambiente durante a Semana da Mata Atlântica, em Campos do Jordão, em maio deste ano, ainda não foram decretadas. São cinco unidades no Paraná: Parque Nacional dos Campos Gerais (23.000 ha), Reserva Biológica das Araucárias (16.078 ha), Refúgio da Vida Silvestre do rio Tibagi (31.698 ha), Reserva Biológica das Perobas (11.000 ha) e Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (16.445 ha) e três em Santa Catarina: Estação Ecológica da Mata Preta ( 9.006 ha), Parque Nacional das Araucárias (16.824 ha), Área de Proteção Ambiental das Araucárias (419.218 ha).

Apesar de terem sido propostas com base em um amplo estudo elaborado pela força-tarefa originada no Grupo de Trabalho Araucárias Sul, a criação dessas áreas permanece indefinida. A força-tarefa reúne técnicos do MMA, Ibama, universidades e outros setores. Já foram concluídas as consultas públicas, com a realização de dez reuniões em sete municípios.

Estas são as primeiras UCs do país que estão passando por um processo de tão amplo debate público para sua criação. Cabe lembrar que a legislação ambiental (SNUC)dispensa consultas para reservas biológicas e estações ecológicas. Mesmo assim, as reuniões com a comunidade foram realizadas.

Há alguns interesses contrários a criação das unidades. Tem gente que ainda acha que floresta boa é a deitada, ou seja, cortada. Essas pessoas dizem que os Estados do Paraná e Santa Catarina terão sua economia prejudicada se essas áreas, o que corresponde a 0,3% dos seus territórios, forem transformadas em Unidades de Conservação.

A Rede de ONGs da Mata Atlântica suplica a todos interessados em manter alguns remanescentes do ecossistema mais ameaçado do bioma: a Floresta com Araucárias, para que peçam a imediata criação dessas singulares áreas.

sobre a Floresta com Araucária

A araucária, também conhecida como pinheiro-brasileiro ou pinheiro-do-paraná, é uma espécie muito antiga e endêmica da Mata Atlântica. Chegou a responder por mais de 40% das árvores existentes na Floresta Ombrófila Mista ou Floresta com Araucárias, que cobria originalmente em torno de 200 mil Km² do território brasileiro, principalmente nos estados do Sul e Sudeste, em regiões de clima subtropical. Só no Paraná, cobria 40% do território, em Santa Catarina, 30%, e no Rio Grande do Sul, 25%.

A intensa exploração da araucária, cuja madeira é muito apreciada pela leveza e perfeição e chegou a estar no topo da lista das exportações brasileiras nas décadas de 50 e 60, levou essa espécie - e por conseqüência seu ecossistema - à beira da extinção. Hoje, restam menos de 3% de sua área original, incluindo florestas exploradas e matas em regeneração. Menos de 1% guarda as características da floresta primitiva. No Paraná, restam apenas 0,8% de remanescentes em estágio avançado de recuperação. Em Santa Catarina, esse percentual é ainda mais baixo, 0,7%.

A situação extrema da araucária reforça a necessidade de proteção e recuperação da Mata Atlântica como um todo. É esse bioma que regula o fluxo dos mananciais hídricos que abastecem as cidades e principais metrópoles brasileiras, além de assegurar a fertilidade do solo, controlar o clima, proteger as encostas das serras, além de preservar um patrimônio histórico e cultural imenso em seus domínios.

Sua importância não impediu que a Mata Atlântica fosse reduzida a apenas 7% de sua cobertura original, e seus remanescentes, extremamente fragmentados. Se é um dos biomas com a maior biodiversidade do Planeta, é também um dos mais ameaçados, com quase 70% das 395 espécies em perigo de extinção da lista oficial do Ibama, além de figurar entre os cinco primeiros colocados na lista dos Hotspots mundiais, áreas de grande riqueza biológica, mas com altos índices de ameaça de extinção.

(Com informações da Rede de ONGs da Mata Atlântica)

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