Dia de ação contra o Terminator

terça-feira 21 de março de 2006 por Daniele Sallaberry

Manifestação contra as sementes mortas foi liderada, nesta terça-feira (21), pela Vía Campesina na entrada do pavilhão do Expotrade, onde está sendo realizada a Oitava Conferência das Partes (COP 8) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Palavras de ordem emitidas do alto de um caminhão de som acompanhou a massa de manifestantes que carregavam cartazes e faixas em repúdio à tecnologia Terminator, uma semente estéril, que deixa os camponeses na dependência de comprar novas sementes a cada safra..

“Sementes suicidas são sementes homicidas”, “Las semillas son vivas, terminator les liquida”, repetia o grupo a cada grito de guerra emitido pelos líderes da manifestação.

Um dos principais temas em discussão na COP 8 é a questão das tecnologias genéticas de restrições de uso ou Terminator. O ato de repúdio teve como objetivo sensibilzar as delegações a se posicionarem contra esta tecnologia. Através da engenharia genética é possível modificar as plantas para produzirem sementes estéreis. No meio científico estas sementes são denominadas GURTs (tecnologia genética de uso restritivo). Em 2000, a CDB decretou uma moratória contra o uso da Terminator. Se a convenção decidir rever essa moratória ou reconhecer possíveis efeitos benéficos da tecnologia, isso pode gerar um impacto muito grande nas políticas internas dos países, que podem argumentar para liberar a utilização das sementes suicidas.

O representante do Movimentos do Pequenos Agricultores, Cledecir Zucchi, acredita que a pressão popular vai sensibilzar os delegados a banirem a possibilidade do uso do Terminator. “Eles estão decidindo o nosso futuro sem nós, estamos aqui pois queremos ser ouvidos”, afirmou. O agricultor acredita que o Terminator é uma forma de terrorismo. “Eles estão matando aos poucos o nosso povo, eles querem dinheiro, nós queremos vida”, enfatizou.

Além da Via Campesina, participaram do ato o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o Movimento dos Pequenos Agricultores, o Centro Pastoral da Terra, o Movimento das Mulheres Camponesas, a Central Única dos Trabalhadores, a Federação dos Estudantes de Economia do Brasil, entre outros.

Campanha Terminar com Terminator

Após a manifestação, os movimentos foram participar dos debates da Tenda do Fórum Global da Sociedade Civil, evento aberto ao público, paralelo às reuniões das Partes sobre Protocolo de Cartagena de Biossegurança (MOP3) e da (COP8) Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que acontece em Curitiba de 13 até o 31 de março.

Os temas discutidos foram os GURTs e a Campanha Terminar com o Terminator. O evento teve como objetivo esclarecer sobre o que representa essa tecnologia. A representante do ECT Group, Hope Shand, explicou porque a Organização das Nações Unidas (ONU) não se refere às sementes geneticamente estéreis como Terminator, “eles usam o termo GURTs (tecnologia genética de uso restritivo) que é menos controverso”. Ela explicou que essa tecnologia serve para maximizar os lucros das indústrias de sementes e não para melhorar a biosseguraça e a biodiversidade.

A representante da Vía Campesina do Chile, Francisca Rodriguez, frisou que o Fórum Global da Sociedade Civil é uma oportunidade para mostrar à sociedade e aos delegados da COP 8 o que a sociedade civil quer. “Estamos aqui para alertar e impedir a privatização da vida” destacou. Ela afirmou ainda que a Vía Campesina não está contra o desenvolvimento da ciência. “Somos contra a ciência mercantilizada, a ciência da morte”, justificou.

O representante da Rede África de Biodiversidade, Clement Chipakololo, falou sobre a importância das sementes em sua cultura. “Nossos agricultores vivem das sementes, pois ela é o símbolo do início da vida”. Ele também destacou a importância dos movimentos estarem influenciando no processo de decisão da COP 8.

“Como as instituições se apoderam do que não é seu? Quem lhes deu o direito de estarem vendendo o patrimônio de nosso passado e o futuro de nossos descendentes?” indagou o representante da Via Campesina Internacional, Paul Nicholson, que classificou a tecnologoa Terminator como fascista e destruidora. “Temos a responsabilidade de estar informando a sociedade sobre esta questão”.

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