Países da América Latina ameaçam consenso na MOP 3

sexta-feira 17 de março de 2006

Ao contrário do que se previa, não vem dos países ricos a ameaça contra a expressão "contém", mas do Paraguai, Peru e México.

Curitiba, PR - A 3ª. Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3) chegou ao último dia, nesta sexta-feira (17), e contrariando tradicionais pressões de países ricos, são três países da América Latina que ameaçam o consenso internacional sobre a identificação entre “contém” ou “pode conter” produtos transgênicos nas cargas internacionais.

“Paraguai, Peru e México formaram um bloqueio contra a proposta brasileira e existe a possibilidade de o MOP 3 ser estendido durante a COP 8”, preocupou-se a ambientalista e professora-doutora em Sociologia da PUC-SP, Marijane Lisboa. A COP 8 - Conferência da ONU sobre Biodiversidade - começa seus trabalhos na segunda-feira (20) e vai até o dia 31.

A posição brasileira defende a adoção da expressão “contém” para cargas de Organismos Vivos Geneticamente Modificados (OVMs) em um prazo de até quatro anos – período para os países investirem em logística e certificação de um sistema que garanta a identificação dos produtos. Segundo Marijane, o estabelecimento de um prazo para a adoção da medida já deixou de ser o ponto da proposta mais polêmico.

“O Peru deve entrar no Acordo de Livre Comércio na América do Norte (Nafta), assim como o México já faz parte e ambos os países têm o compromisso de não aceitar nenhuma restrição na comercialização de seus produtos. Já o Paraguai tem o desejo de um dia entrar no bloco”. Outro país até então considerado um “entrave” para um consenso mundial era a Nova Zelândia, que parece ter cedido às negociações em favor do “contém”.

No caso da MOP 3 não chegar num resultado até esta sexta-feira, a Conferência pode ser suspensa e reiniciada após a COP 8, desta vez com um chamado amparo ministerial, com a presença de ministros de vários países. “Isto cria uma outra condição para o Brasil, que teria a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na presidência das novas negociações”, informou Marijane.

Pressão

Durante todo o dia, acontecem manifestações, lideradas por estudantes, em favor do termo “contém” OVMs. Daniela Ferreira Lodetti, 18 anos, faz Relações Exteriores na PUC-SP. Com um grupo de 28 estudantes, Daniela encontrou estudantes norte-americanos da Universidade de Atlanta que também vieram em Curitiba para pressionar os países. “Estamos todos juntos agora para chamar a atenção da sociedade e dos jovens como um todo. Somos contra os transgênicos e lutamos para que os países tenham um compromisso real com a natureza”, completou.

Texto da Agência Estadual de Notícias do Paraná.

Fonte: Ecoagencia de Ntícias

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