Por um planeta mais limpo, verde e justo

quarta-feira 18 de janeiro de 2006 por Klaus Toepfer

Definiremos uma agenda para conduzir a força de trabalho organizada e o ambientalismo a uma nova área de cooperação.

Na Nigéria , foi lançada uma campanha para confinar nos livros de história produtos químicos obsoletos, desatualizados e nocivos à saúde. A campanha deve beneficiar aproximadamente cinco milhões de trabalhadores de fábricas, assim como o meio ambiente da África Ocidental em geral. Um programa conjunto da Noruega e da Rússia está educando e treinando os funcionários de fábricas russas em áreas como saúde e segurança e técnicas de produção mais limpa. O fio comum ligando esses e outros projetos-piloto tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento é a força de trabalho organizada. Eles ressaltam o entusiasmo e comprometimento crescentes de sindicatos em promover o desenvolvimento sustentável em benefício do local de trabalho, das comunidades vizinhas e do meio ambiente global. Um entusiasmo evidenciado também no Pacto Global da ONU, que aproximou amplos segmentos da iniciativa privada e da sociedade civil.

Há algumas décadas, o relacionamento entre ambientalistas e o movimento sindical se caracterizava pela suspeita.

Membros da força de trabalho organizada tinham receio de que a proteção ambiental colocasse empregos em risco, colocando um peso excessivo sobre os negócios e a indústria. Ambientalistas suspeitavam que os sindicatos tendiam a defender o status quo da indústria pesada e, em muitos casos, poluente. Essa época passou, e as teias de suspeitas foram afastadas pela realidade do mundo moderno globalizado. Ambos os lados reconhecem agora os múltiplos benefícios de buscar a causa comum. Há áreas óbvias de interesse mútuo. Por exemplo, na redução da exposição de trabalhadores e seus familiares a substâncias nocivas. Estimativas da Organização Internacional do Trabalho indicam que cerca de 300 mil trabalhadores morrem todo ano por causa da exposição a agentes químicos. Esse número deve ser reduzido drasticamente. Outras áreas incluem um reconhecimento conjunto de que a luta contra a degradação ambiental é uma batalha em que todos ganham. Vejamos as mudanças climáticas. Superar esta que é a mais séria das ameaças resultará não só em um mundo mais estável e com menos desperdício mas também em um mundo em que mais empregos sustentáveis novos e mais limpos serão gerados em áreas como sistemas de energia renovável e geração de combustível fóssil mais limpa. Além disso, a força de trabalho organizada pode ser um poderoso catalisador de mudanças, persuadindo empregadores e empresas a serem mais responsáveis ambientalmente e a alocarem recursos eficientemente. Isso deve não só tornar as firmas mais competitivas -portanto, ajudando a manter e a melhorar as perspectivas de emprego- como também reduzir o rastro ambiental dessas firmas ou setores em florestas e animais selvagens, assim como nos reservatórios de água e na camada de ozônio protetora da Terra. Esse relacionamento florescente estará em foco neste mês, quando 150 líderes sindicais representando milhões de trabalhadores se encontrarão na sede do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), de hoje ao dia 17, terça-feira.

Juntos, no escopo da primeira Assembléia Mundial sobre Trabalho e Meio Ambiente, definiremos uma agenda nova e visionária, cujo objetivo será conduzir a força de trabalho organizada e o ambientalismo global a uma nova esfera de cooperação. O objetivo final de todos os nossos esforços será um novo impulso em direção ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que abrangem desde a erradicação da pobreza até a igualdade de gêneros e a sustentabilidade ambiental. Estamos determinados a fazer desse evento mais do que um mero festival de discursos. Um plano de ação com múltiplos focos, que será conhecido como Iniciativa dos Trabalhadores por um Legado Duradouro, ou Will 2006 (na sigla em inglês), está pronto para ser acordado em colaboração com o Pnuma, a OIT, a Confederação Internacional de Sindicatos Livres (ICFTU) e a Fundação Sustainlabour. O Pnuma também buscará ver como poderá, em termos concretos, auxiliar os sindicatos a replicar os mais de 20 estudos de caso programados para serem apresentados na assembléia. Ao longo dos últimos anos, o Pnuma buscou se aproximar da sociedade civil, desde o setor de negócios e indústria até grupos tradicionais de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, povos indígenas e mulheres. Já era tempo de estreitar laços com sindicatos.

Estima-se que 3 bilhões de pessoas, metade da população planetária, sejam classificados como parte da força de trabalho global. É hora de fazer com que nossos interesses manifestos e mútuos sejam atendidos. Que sejam atendidos em benefício dos homens e mulheres que trabalham nas fábricas e nos escritórios e nos campos agrícolas e que tragam um mundo mais limpo, saudável e digno para todos.

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Fonte: Folha de Sao Paulo

[1] Klaus Toepfer, 67, é vice-secretário-geral para assuntos de meio ambiente da ONU e diretor-executivo do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Foi ministro do Meio Ambiente da Alemanha (1987 a 1994).

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