Agenda 21 - roteiro para a construção da sustentabilidade do planeta

sexta-feira 18 de fevereiro de 2005 por eugenia

O jornalista ambiental Washington Novaes chamou a atenção das centenas de participantes do painel Agenda 21, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, sobre a importância da implementação das agendas 21 municipais. O ambientalista também destacou os problemas que o mundo e o Brasil poderão sofrer com o avanço da degradação ambiental.

De acordo com Novaes, a Agenda 21 é um roteiro importante para a construção da sustentabilidade do planeta. Isto porque o documento, além de explicitar os conflitos, aponta estratégias e ações prioritárias. Atualmente, “a grande função da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 (CPDS) dever ser repensar uma estratégia para o Brasil levando em conta os limites, que condicionam nossa visão e atuação, que nos mostram que as questões ambientais não estão isoladas”.

Enfatizando que recebemos influência de tudo o que acontece em todos os lugares e que nossas ações influenciam o conjunto da vida no planeta, o jornalista apresentou dados preocupantes sobre a condição do planeta. “Não se trata mais de apenas respeitar ou proteger o meio ambiente, o problema é muito maior do que isso. Estamos diante de limites que não podem ser ultrapassados, mas que já foram ou estão sendo ultrapassados, que dizem respeito especialmente às mudanças climáticas e a insustentabilidade dos padrões de produção e consumo reinante no mundo”, alerta.

Vivemos um impasse e, de certa forma, uma crise civiliza tória, continua Novaes. Pois, “não temos instituições nem regras capazes de criar novos padrões, novos formatos de viver numa escala planetária, por isso, temos que reinventar tudo e reinventar os nossos modos de viver”. Apontando os momentos que demonstram o impasse que estamos vivendo, ele remonta à sessão plenária de abertura da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, ocorrida em 2002 em Joanesburgo, e a recente Convenção sobre Mudanças Climáticas, em dezembro último, em Buenos Aires.

Durante a reunião da Cúpula, há três anos, já se afirmava que mudanças climáticas não eram mais prognósticos, uma previsão ou uma possibilidade. Elas já estão acontecendo e com conseqüências muito graves na nossa vida. Na ocasião, o presidente francês, Jacques Chirac, reiterou esse ponto de vista, juntamente com outras autoridades, no painel sobre mudanças climáticas lembrando que a temperatura da terra já subiu 0,8ºC e que ¾ disso se deve a ações humanas. Com isso, lembrou-se que se continuarmos a aumentar as emissões de gases que ocasionam o efeito estufa e acentuam as mudanças climáticas, até o final deste século a temperatura subirá entre 1,4ºC e 5,8ºC. E mais: o nível do mar subirá entre 9 cm e 88 cm e as conseqüências serão extremamente graves: inundações das áreas costeiras do mundo onde vivem 40% da população. Mais de 30 países –ilhas desaparecerão. No Brasil, teremos a intensificação de secas, de inundações e dificuldades progressivas no abastecimento de água, principalmente das grandes cidades.

Em dezembro, a Organização Meteorológica Mundial apresentou, em Buenos Aires, um relatório dizendo que as mudanças climáticas já são muito graves. Os desastres chamados “desastres naturais” causaram prejuízos de U$ 691 bilhões de dólares, atingindo 2,5 bilhões de pessoas no mundo, deixando 673 mil mortos. Só em 2003, segundo os dados apresentados por Novaes, foram 76 mil mortos, 255 milhões de vitimas e prejuízos estimados em U$ 56 bilhões de dólares. No Brasil, tivemos em dez anos 12,7 milhões de vitimas, das quais 11, 5 milhões atingidos por secas e 503 mil por inundações e 153 mil em deslizamentos. Em 2003, o Brasil contabilizou 810 mil vitimas. Com isso, ocupamos o 11º lugar no mundo nessa escala indesejada.

Para Novaes, o primeiro furacão documentado no Brasil, em dezembro último, no Estado de Santa Catarina, quer nos lembrar que precisamos reduzir as emissões de gases. Segundo o painel apresentado na capital Argentina, o mundo precisa reduzir as emissões em 60%. “O Protocolo de Kyoto pretendia uma redução de 5,2% para os países industrializados, em 1990, que aumentaram os seus níveis em mais de 10% de lá para cá. Os Estados Unidos e a Austrália ficaram de fora do Protocolo e as reduções, na melhor das hipóteses, são de 3% contra os 60% que o painel indica. Além disso, este acordo vai até somente 2012, depois disso não há nenhum acordo sequer esboçado”, reitera o jornalista.

Conforme Novaes, o Brasil é o 6º maior emissor de gases. Em 1994, o país emitiu mais de 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono, das quais 75% são conseqüências de desmatamento e queimadas no nordeste e, principalmente, na Amazônia. Emitimos mais de 30 mil toneladas de metano, que tem um efeito 20 vezes mais grave que o dióxido de carbono. Isso acontece, principalmente, por causa de arrotos e flatulências.

Maria Eugênia Brasil Jornalista/ Assessora de Imprensa do Instituto Terrazul

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