Carta do FBOMS, GTA e Greenpeace ao Presidente Lula -Denúncia do assassinato da Irmã Dorathy no Pará

quarta-feira 16 de fevereiro de 2005 por gabriela

Para: Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República Federativa do Brasil

Excelentíssimo Senhor Simão Jatene Governador do Estado do Pará

CC Excelentíssima Senhora Marina Silva Ministra do Meio Ambiente

Excelentíssimo Senhor Miguel Soldatelli Rossetto Ministro do Desenvolvimento Agrário

Excelentíssimo Senhor Márcio Thomaz Bastos Ministro da Justiça

Excelentíssimo Senhor Celso Luiz Nunes Amorim Ministro das Relações Exteriores

Excelentíssimo Senhor Nilmário Miranda Secretário Especial dos Direitos Humanos

Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 2005.

Excelentíssimo Senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Excelentíssimo Senhor Governador Simão Jatene,

O assassinato da missionária americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, 73 anos, neste final de semana no município de Anapu, no Pará, é mais um triste exemplo da impunidade e da ausência do governo em regiões remotas da Amazônia, onde a violência continua imperando. Trata-se de um episódio inaceitável e escandaloso.

Irmã Dorothy, como era conhecida, acreditava num futuro pacífico e sustentável. Defendia como poucos o patrimônio nacional dos ataques de grileiros e era incansável defensora de uma forte presença do Estado na Amazônia. Há mais de 30 anos vivia na região da Transamazônica e dedicou quase metade de sua vida para dar voz às comunidades rurais, defendendo o direito à terra e lutando por um modelo de desenvolvimento sem destruição da floresta.

O assassinato de Irmã Dorothy era uma morte anunciada. Por sua luta em defesa da Amazônia, ela foi agredida, injustamente acusada de incitar a violência na região e ameaçada de morte inúmeras vezes.

O Pará apresenta o maior índice de assassinatos ligados às disputas de terra. Entre 1985 a 2001, quase 40% as 1237 mortes de trabalhadores rurais no Brasil aconteceram no Pará. É ainda o estado campeão de desmatamento ilegal, exploração de madeira, grilagem de terras, trabalho escravo e palco de escandalosas denúncias de abuso aos direitos humanos, como denunciado no relatório do Greenpeace "Pará: Estado de Conflito", lançado em outubro de 2003: http://www.greenpeace.org.br/amazonia/pdf/para_estadodeconflito.pdf

Dezesseis anos depois da morte de Chico Mendes, a impunidade continua caracterizando regiões remotas da Amazônia. Não podemos aceitar mais mártires na Amazônia. Também não aceitamos nem mais uma gota de sangue no chão da floresta.

Sr. Presidente e Sr. Governador, as autoridades de seus governos e principalmente do governo estadual já haviam sido alertadas sobre os conflitos na região e sobre os riscos que Irmã Dorothy corria. Mas nenhuma medida para garantir sua segurança e de outras lideranças foi tomada. O GTA, FBOMS e o Greenpeace exigem que seja realizada uma investigação rigorosa, punindo exemplarmente os responsáveis e dando um basta nesta matança que caracteriza a Amazônia como uma terra aonde impera a lei do mais forte e não as leis do Estado.

Confiamos que o governo brasileiro não medirá esforços para assumir sua responsabilidade em relação a este crime e implemente medidas concretas que acabem com as causas motivadoras da violência como a grilagem de terras públicas e exploração ilegal de madeira, garantindo um futuro sustentável para a floresta amazônica e seus habitantes.

Atenciosamente,

Adilson Viera Secretário-Geral do GTA - Grupo de Trabalho Amazônico Coordenação do FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento

Temístocles Marcelos Secretário-Executivo do FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento

Frank Guggenheim Diretor- Executivo do Greenpeace no Brasil

John Passacantando Diretor- Executivo do Greenpeace nos Estados Unidos

Gerd Leipold Diretor-Executivo do Greenpeace Internacional

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