Motivos de sobra Para Ter esperanças

domingo 16 de abril de 2006 por Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

A democratização da informação ambiental é fundamental para o exercício pleno da cidadania crítica e participava, pois quando as pessoas, o povo, ou as organizações não dispõem de informação de qualidade, têm comprometida a capacidade de fazer escolhas entre as diferentes alternativas e caminhos. Nossa sociedade, por exemplo, passou muito tempo recebendo informações apenas sobre um determinado tipo de modelo de desenvolvimento, predatório, poluidor e injusto. É compreensível que ainda seja dominante a idéia de que os seres humanos têm o direito de usar o Planeta como um armazém inesgotável de recursos e uma lixeira infinita.

Entretanto, para quem vem acompanhando a evolução dessa consciência especialmente nas últimas duas décadas, existem motivos de sobra para termos esperanças. Ainda há tempo para salvar o Planeta, e a nós próprios. Nosso estilo de vida ainda irá provocar muitos danos e poluição ambiental, sem dúvida nenhuma, mas é inegável que aumenta ano a ano a consciência ambiental em todos os países, especialmente no Brasil, país de maior mega-diversidade do Planeta.

Trata-se de um indicador importante para quem precisa adotar estratégias e fazer investimentos para o futuro, como políticos, administradores, empresários e mesmo jovens em busca de uma carreira.

Olhando em perspectiva para os últimos 20 anos, podemos afirmar com segurança que nos próximos 20 as exigências ambientais serão muito maiores que hoje. Ninguém conseguirá conduzir um negócio ou qualquer atividade se não levar em conta seriamente a questão ambiental.

A consciência ambiental da população é um caminho sem retorno que só tenderá a crescer diante de leis que se tornam cada vez mais rigorosas, diante da demanda crescente por capacitação e formação ambiental que tem resultado no aparecimento de cursos de especialização, graduação e pós-graduação em meio ambiente em todo o país, o aumento de títulos sobre temas ambientais nas livrarias e bancas de jornais e revistas, o aumento de programas de televisão e rádio com o tema ambiental, o investimento das empresas e centros de pesquisa no desenvolvimento de novas tecnologias e produtos mais limpos, a quantidade de prêmios ambientais e de encontros, seminários, eventos nacionais e internacionais ligados à questão ambiental, como o Encontro Verde das Américas, que está em sua 6ª versão.

Hoje, ainda são muitas as dúvidas e incertezas sobre os novos caminhos e alternativas na direção de um modelo de desenvolvimento ambientalmente sustentável e socialmente mais justo, principalmente devido à falta de informação ambiental em quantidade e qualidade e à falta de alternativas tecnológicas viáveis economicamente. Trata-se apenas de uma questão de tempo para que estas lacunas sejam preenchidas, pois cresce a cada dia a quantidade de pessoas que buscam informações ambientais e se há mercado, a tendência é haver mais veículos de comunicação seja especializados em meio ambiente, seja com a inclusão dos temas ambientais nas pautas dos veículos tradicionais.

Igualmente, é crescente o surgimento de novas tecnologias ambientais como assistimos ano a ano a cada FIMAI (Feira de Meio Ambiente Industrial) organizada pela Revista Meio Ambiente Industrial, do Júlio Tocalino, que está na 5ª versão.

Outro exemplo desse interesse da sociedade é o número de pessoas que tem procurado o site www.jornaldomeioambiente.com.br em busca de informações ambientais. Em junho do ano passado, no Dia Mundial do Meio Ambiente, tivemos quase 10 mil acessos num único dia! Para este ano, estimamos ultrapassar esse número, pois já estamos com a média diária superior a cinco mil acessos ao dia. Entretanto, há limites para a democratização da informação ambiental. Enquanto para a maioria das pessoas notícias sobre impactos e danos ambientais, principalmente diante de grandes acidentes, podem sensibilizar e contribuir para o despertar da consciência ambiental, para outras pode significar a necessidade de aumentar o controle e a posse aos recursos naturais ameaçados a fim de tomar para si tudo o que puder antes que o recurso acabe ou se comprometa de vez.

Assim, não basta apenas democratizar a informação ambiental, é preciso que ela esteja de mãos dadas com a educação ambiental comprometida em formar cidadãos mais críticos e participativos, e também menos egoístas e mais solidários. No fundo, uma questão de espiritualidade e cultura, onde ao nos tornarmos ambientalmente mais responsáveis nos tornamos também pessoas melhores, mais solidárias e éticas e menos egoístas, não só com os nossos semelhantes, mas com todos os seres vivos tripulantes deste planeta como nós.

(*) Vilmar é escritor e jornalista, editor do Jornal do Meio Ambiente e Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente

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