Entre ciência moderna e saber tradicional

quinta-feira 30 de março de 2006 por Daniele Sallaberry

“Conhecimento Híbrido” pode ser a solução para impasse entre ciência moderna e saber tradicional

“Nossos conhecimentos são indispensáveis para o futuro da vida no planeta, nossa opinião deve ser ouvida e respeitada pelos países Partes da Convenção”, defendeu a diretora executiva do Núcleo de Advogados do Instituto Indigena Brasileiro da Propriedade Intelectual, Fernanda Kaigáng referindo-se ao pateanteamento dos conhecimentos tradicionais indigenas. A transformação de saberes tradicionais em mercadoria e os impactos das patentes foram temas do painel “Tecnociência e saberes tradicionais sobre a biodiversidade”, nesta quarta-feira (29). O debate faz parte da programação do Fórum Global da Sociedade Civil, evento paralelo à MOP3 do Protocolo de Cartagena e a COP 8 da Convenção de Diversidade Biológica, aberto ao público, que acontece de 13 a 31 de março, em Curitiba.

Os conhecimentos tradicionais constituiem-se em práticas, conhecimentos empíricos e costumes passados de pais para filhos e crenças das comunidades tradicionais que vivem em contato direto com a natureza. A utilização do conhecimento das comunidades tradicionais (povos indígenas, seringueiros, agricultores, ribeirinhos, etc) sobre recursos naturais como ponto de partida para pesquisas que podem levar ao patenteamento de produtos e processos é uma das questões que compõe o quadro das polêmicas sobre o tema. Os recursos biológicos, muitas vezes presentes em terras indígenas, são coletados por pesquisadores ou laboratórios, que passam a estudar o potencial farmacológico de determinada planta ou veneno de animal, baseando-se no uso tradicional que se faz deles.

“A apropriação do nosso conhecimento tradicional é um crime”, afirmou Fernanda que acredita que o conhecimento tradicional, por não ser legitimado como científico, termina sendo apropriado indevidamente com objetivos comerciais. “O conhecimento do pajé não é reconhecido como científico, mas o medicamento desenvolvido a partir conhecimento é científico”, criticou.

A advogada ressaltou a importância da participação indigena na COP 8 e criticou, também, o andamento da discussão do artigo que trata da negociação de repartição de benefícios. “Estamos profundamente preocupados com o Regime Internacional proposto. As Partes devem reconhecer e proteger os direitos dos Povos Indígenas aos seus conhecimentos tradicionais e recursos genéticos provenientes de nossos territórios, terras e águas tradicionalmente utilizados e ocupados pelos Povos Indígenas. Sem o reconhecimento explícito e proteção dos direitos dos Povos Indígenas, não pode haver respeito, garantia de preservação dos conhecimentos tradicionais para as gerações futuras”, destacou.

Conhecimento híbrido

O representante da Associação Brasileira de Antropologia, Paul Little, defende, como solução para esta questão, a associação do conhecimetno tradicional com o conhecimento científico de tal forma que seria possivel contruir um novo conhecimento, “um conhecimento híbrido que icorpore fundamentos dos dois não implicando a extinção destes conhecimentos”, destacou. Ele acredita que a soma dos conhecimentos traria benefícios tanto para os povos indigenas quanto para ciência moderna. Segundo Little, para isto seria necessário, um reconhecimento mútuo do valores dos dois tipos de conhecimentos para a partir disto estabelecer um diálogo igualitário, normas claras de interveção e a boa vontade de ambas partes para juntos construírem este novo conhecimento.

Assinaturas: 0

Fórum

Associação Civil Alternativa Terrazul,

Rua Goiás No 621. Bairro: Pan-Americano. Cep: 60441000 Fortaleza - Ceará - Brasil

E-mail: alternativa.terrazul@terra.com.br tel: + 55 85 32810246

Alternatives International

Data Nome Mensagem