Leonardo Boff defende ação das mulheres campesinas

sexta-feira 24 de março de 2006 por Daniele Sallaberry

Ato contra as monoculculturas e em defesa da biodiversidade foi realizado pelas mulheres da Via Campesina na Tenda do Fórum Global da Sociedade Civil no final da manha desta quinta-feira (23). Duas mulheres da Via Campesina leram uma carta da organização em apoio às camponesas do Rio Grande do Sul na qual frisaram a indignação frente à violenta ação da polícia gaúcha que invadiu, no dia 21 de março, a sede da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do RS, em Passo Fundo. A polícia estava buscando supostas provas relacionadas com as ações que 2.000 mulheres da Vía Campesina realizaram no último dia 8 de março contras as monoculturas.

O teólogo Leonardo Boff, solidário ao ato, defendeu a ação das mulheres campesinas. “É uma resposta a uma violência anterior, que a Aracruz fez em 20 de janeiro no Espírito Santo, quando a empresa precisa de terras para aumentar a plantação e invade áreas indígenas, que estão lá desde 1500”. Boff criticou a imprensa, “prenderam as pessoas, passou com os tratores por cima das casas, usaram helicopteros da Polícia Federal e nenhum jornal ou televisão do Brasil deu”, afirmou. Para o teólogo a monocultura do eucalipto é altamente anti-ecológica e ocupa territórios que poderiam ser muito melhor atendidos em relação a biodiversidade, “por isso, as mulheres reagiram na única linguagem que esse sistema entende: ocupando”, ressaltou. Após as falas, Boff acompanhou a marcha contra as monoculturas e em defesa da biodiversidade pelo estacionamento na Expotrade.

O Fórum Global da Sociedade Civil, aberto ao público, é promovido pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS) . O evento faz parte da programação paralela às reuniões da Terceira Conferência das Partes sobre Protocolo de Cartagena de Biossegurança (MOP3) da (COP8) Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que está acontecendo em Curitiba de 13 até o 31 de março.

LEIA O DOCUMENTO:

DECLARAÇÃO DA VÍA CAMPESINA INTERNACIONAL EM APOIO ÀS MULHERES DO RIO GRANDE DO SUL

(Curitiba, 22 de março de 2006) Nós, camponeses e camponesas do movimento internacional /A VÍA CAMPESINA/, expressamos nossa indignação frente à violenta ação de busca e apreensão que, no dia 21 de março, sofreram as secretarias das Associações Estadual e Nacional de Mulheres Camponesas em Passo Fundo (estado do Rio Grande do Sul – Brasil). A repudiável ação da Polícia Civil do Munícipio de Camaquã e de agentes policiais de Barra do Ribeiro e de Passo Fundo é mais um caso de agressão, fisica e psicológica contra as mulheres trabalhadoras - historicamente, as principais vítimas do sistema. A operação começou por volta das 14h, quando os policiais, sem identificarem-se, arrombaram o portão e entraram no espaço das associações, rendendo com armas mulheres e crianças que lá se encontravam. Apenas depois da ação foi apresentado um mandato de busca e apreensão, que determinava somente a vistoria da associação estadual. Os agentes levaram computadores, materiais de divulgação da associação, documentos, dinheiro, talões de cheque, entre outras coisas. As mulheres foram intimadas a depor, o que ocorreu na própria noite e manhã do dia seguinte. A polícia estava buscando supostas provas relacionadas com as ações que 2.000 mulheres da Vía Campesina realizaram no último dia 8 de março contra as monoculturas. Se trata de uma clara violação de direitos humanos, sem respeito à presença de crianças e das próprias mulheres às quais foi negado, inclusive, o direito de contato com um advogado. Nenhum país pode permitir que atos deste tipo sejam praticados, sob qualquer pretexto, por se tratarem de graves atentados à dignidade humana. Denunciamos o abuso de poder e autoridade por parte dos policiais, que através de instrumentos legais, continuam usando métodos ilegítimos de ação. Sem dúvida, esta é mais uma repudiável criminalização dos movimentos sociais, que os camponeses vem sofrendo em grande parte do mundo. Por tudo isto, A Vía Campesina declara que continuará a luta em defesa dos recursos naturais, por terra, àgua, sementes, florestas, pela vida, proteção, cuidado e melhoramento da diversidade biológica e cultural.

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