Comitê Local se prepara para receber delegações da ONU

quarta-feira 15 de fevereiro de 2006

Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Jornalistas de todo o país conheceram de perto, nesta semana, os preparativos da cidade para as conferências sobre biodiversidade e biossegurança que serão realizadas em Curitiba, em março. Eles participaram, nesta segunda e terça (13 e 14), de uma capacitação voltada à cobertura jornalística das conferências, com palestras sobre temas que estarão em pauta e sobre a logística oferecida pela cidade.

Com o nome técnico de 3ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3) e 8ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8), as conferências, promovidas pela ONU, vão reunir na cidade cerca de seis mil visitantes estrangeiros, de 187 países e Comunidade Européia.

Na manhã desta terça-feira, o coordenador do Comitê de Preparação Local, Ramiro Wahrhaftig, detalhou o que está sendo feito pela Prefeitura de Curitiba para receber os eventos da ONU e apresentou projetos especiais que contam com patrocínio.

Entre as providências que estão sendo adotadas, afirmou Wahrhaftig, estão a preparação de receptivos para atuar nos aeroportos de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, auxiliando os visitantes; a sinalização turística da cidade com placas em inglês e português; e o serviço especial de transporte entre Curitiba e Pinhais (onde serão realizados, no Expo Trade, os eventos oficiais).

Ele também detalhou providências nas áreas de saúde e segurança, o cuidado com o lixo e a distribuição, em algumas cidades do país e do exterior, de mapas de Curitiba em papel reciclado. Wahrhaftig lembrou que, além das conferências da ONU, Curitiba conta, em março, com uma programação especial de aniversário e com o Festival de Teatro que, tradicionalmente mobiliza um grande número de pessoas.

Para a jornalista ambiental, Maria Zulmira, da TV Cultura, participante e palestrante da capacitação, a estrutura que está sendo montada vai transformar Curitiba num exemplo fora do país. Ela também elogiou a qualidade da capacitação, onde especialistas do governo e organizações governamentais, além de jornalistas especializados puderam falar aos que vão fazer a cobertura dos eventos que serão realizados em março. "A capacitação foi extraordinária; bem organizada e útil - mesmo para nós que somos especializados na área. Foi um sopro do que vai ser o grande evento da COP e da MOP", definiu a jornalista, especializada na área desde 1991.

Segundo ela, a capacitação demonstrou a todos a importância da biodiversidade na cobertura do dia-a-dia, independente da editoria. "Não precisa ser da editoria de meio ambiente. O assunto pode pautar outras editorias. Biodiversidade é a base da economia e da vida também", completou.

Este foi um dos enfoques da apresentação da jornalista Márcia Soares, do Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade), que falou sobre a cobertura jornalística da biodiversidade. "Os assuntos podem ser para a editoria de economia, ciência, política ou geral", comparou, ao falar da transversalidade do assunto Meio Ambiente.

Alarmante - O gerente de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, que encerrou a capacitação, elogiou a mobilização de tantos jornalistas. No total, 165 profissionais de imprensa participaram da capacitação.

Mas foi ele também que fez uma das palestras mais provocadoras e preocupantes sobre os desafios da implementação da Convenção sobre Diversidade Biológica. "Nós estamos no meio de um processo de extinção em massa, assim como aconteceu com os dinossauros há 65 milhões de anos. Trata-se de um quadro gravíssimo porque este é um processo sem retorno", afirmou.

Dias reconheceu que, desde a realização da Rio 92, quando foi assinada a Convenção sobre Diversidade Biológica, houve um avanço no planejamento das ações, no marco legal e nas negociações para mais recursos. "Mas mesmo assim não estamos conseguindo reverter o processo de perda da biodiversidade. Hoje, as taxas de extinção no Brasil e no mundo estão entre cem e mil vezes acima do natural, num ritmo sem precedentes", analisou, ao destacar que não se trata apenas da perda de espécies, mas também da variabilidade genética, fenômenos ecossistêmicos e muitos outros fatores.

"Tudo indica que vamos ter um desastre numa proporção nunca vista. E o pior é que a maior parte da população não sabe o que está acontecendo, não entende como nós dependemos da biodiversidade. Muitos não vêem que todos nós somos parte do problema. Temos que conseguir mobilizar mais", disse aos jornalistas em tom de desabafo, ao mencionar também a importância da transversalidade do tema. Ele lembrou ainda que estudos já revelaram que o número de doenças vem aumentando e destacou que já está provado que há uma relação causal entre o desequilíbrio ecológico e as doenças.

Antes de Bráulio Dias, o superintendente do Ibama no Paraná, Marino Gonçalves, e o coordenador do comitê de preparação estadual, Paulo Roberto Castella, chamaram a atenção para algumas preocupações existentes no Paraná. Castella falou das Unidades de Conservação e as definiu como fundamentais na manutenção da biodiversidade e dos recursos genéticos, minimizando o risco de extinção das espécies.

Depois de detalhar a sua classificação - áreas de proteção integral e áreas de uso sustentável - ele fez um alerta quanto à Floresta com Araucária, ecossistema que pertence ao Bioma Mata Atlântica, característico do Estado do Paraná. "Esta é uma ecorregião crítica, com perda de espécies. Hoje temos apenas 0,026% da área original", declarou.

Evento popular

Ao falar sobre o mesmo tema, o superintendente do Ibama desabafou. "Estamos perdendo a guerra. Está havendo uma perda violenta da biodiversidade", completou. Marino também fez um apelo aos jornalistas: "Peço que possamos fazer um evento popular, para todos os segmentos da sociedade, que esta mensagem possa entrar na casa das pessoas. A nossa vida depende das ações práticas pela defesa do meio ambiente", finalizou.

Fonte: www.cop8mop3.com.br

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