Que futuro você prefere?

segunda-feira 17 de julho de 2006

Que futuro você prefere: o da agricultura familiar, que gera cinco empregos a cada hectare, ou o de grandes empresas, como a Aracruz Celulose, que gera um emprego a cada 185 hectares? Você prefere um país de 2.810 propriedades com 20 hectares, que destinam toda a sua produção para a mesa do trabalhador, ou um país em que apenas uma empresa detém 56,2 mil hectares e envia 97% da sua produção para o exterior?

O fornecimento de alimentos no planeta está ameaçado. Se alguma das dez companhias que controlam a venda de sementes no planeta decidir suspender a comercialização, por exemplo, do arroz, este item vai faltar na mesa dos brasileiros e brasileiras. Trata-se de um mercado de 21 bilhões de dólares, que pode ser manipulado conforme a vontade de seus acionistas majoritários, sem a preocupação de assegurar a alimentação no mundo.

As principais indústrias atualmente são a Monsanto, a Dupont - as duas de origem estadunidense - e a Syngenta - vinda da Suíça. A Syngenta é responsável pelo maior caso de contaminação genética ilegal comprovada no mundo. Durante quatro anos, a empresa comercializou o milho da variedade Bt10, que tinha sua venda proibida, como sendo Bt11, autorizado para circulação. As sementes contaminaram o milho exportado para vários países.

Da mesma forma arbitrária, essas empresas decidiram implantar os transgênicos em todo o mundo, apesar da falta de aceitação pública. Em 1996, esse comércio movimentava 280 milhões de dólares e em 2004 passou para 4,7 bilhões de dólares. Um aumento de 17 vezes em nove anos. O Brasil já é o terceiro produtor mundial de organismos geneticamente modificados, apesar de seu plantio só ter sido aprovado pelo governo em casos muito específicos. Perdemos apenas para Estados Unidos e Argentina.

Syngenta não respeita a lei ambiental

Junto com o crescimento da venda das sementes, cresce também o uso de agrotóxico. De acordo com uma pesquisa desenvolvida pelo cientista Charles Benbrook, o uso de agrotóxicos sobre plantações transgênicas tende a crescer a cada ano. Desde 1996, o aumento foi de 4,1%. Além disso, as sementes modificadas respondem a herbicidas específicos, em geral a base de glifosato, produzidos pelas próprias empresas que a comercializaram.

No Brasil, a disputa desleal de espaços para cultivo transgênico ficou mais evidente com o caso da Sygenta no Paraná. Assim como fez nos Estados Unidos, a empresa desrespeitou as leis brasileiras: em março deste ano ela foi multada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em 1 milhão de reis, por praticar experimento e plantio de soja e milho transgênicos na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu, em Santa Tereza do Oeste (PR). Das 18 propriedades denunciadas e vistoriadas, foram encontrados em 14 delas plantios a quatro quilômetros do parque.

Além do cultivo de milho transgênico não estar liberado no Brasil, a Lei de Biossegurança vigente é clara ao vetar o plantio de organismos modificados nas zonas de amortecimento de parques e unidades de conservação. Segundo o texto da lei 11.105, de 2005, o plantio é proibido "nas áreas de unidades de conservação e respectivas zonas de amortecimento, nas terras indígenas, áreas de proteção de mananciais de água efetiva ou potencialmente utilizáveis para o abastecimento público e nas áreas declaradas como prioritárias para a conservação da biodiversidade". O texto estabelece ainda uma faixa mínima de 10 quilômetros para proteger essas áreas.

Para denunciar as ações ilegais cometidas pela transnacional contra a biodiversidade, cerca de 600 integrantes da Via Campesina ocuparam o campo de experimento da Syngenta em 14 de março deste ano. Foram os trabalhadores e trabalhadoras rurais que solicitaram a vistoria do Ibama.

Atualmente, cerca de 100 famílias permanecem acampadas nos 123 hectares da transnacional, que agora têm o nome de "Terra Livre". Os camponeses e as camponesas pretendem transformar o ex-campo de experimentos com transgênicos em um campo de sementes crioulas e modelo de produção agroecológica, como já acontece em outros lugares do país. A Syngenta, em repúdio à decisão do governo do Paraná de manter as famílias na área, declarou que deixará o país.

Para o MST, a saída da empresa é mais uma demonstração de que hoje o controle das sementes não tem pátria. Quando a empresa deixa de ter lucros e explorar o meio ambiente, ela se muda de lugar e continua a exploração. Durante milhares de anos, os seres humanos foram melhorando e selecionando as espécies e variedades mais interessantes para o seu uso, principalmente do ponto de vista alimentar, cultural e religioso, buscando na natureza o seu alimento, em abundância e perenemente. As sementes são historicamente as bases da sobrevivência humana e não podem der consideradas mercadorias, mas sim um patrimônio da humanidade!

Fonte: Letra Viva / MST Informa

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