O uso da tecnologia contra a devastação

quarta-feira 30 de novembro de 2005 por André Lima de Brito

Foto: Inundação devasta Fazenda na Nicarágua/IADB.ORG

A preservação ambiental é um tema recorrente em nossos dias, principalmente porque estamos sentindo na pele os efeitos da falta de cuidado com o planeta. Infelizmente, parece que as pessoas ainda não acordaram para a gravidade do que está acontecendo. A perfuração na camada de ozônio, que era, para muitos, apenas uma retórica, hoje, é uma realidade que se mostra em catástrofes climáticas – tsunamis, furações, inundações. E, não é preciso ir muito longe para perceber que o planeta está reagindo às agressões sofridas pelo Homem. Quem poderia imaginar a seca na Amazônia? E o crescimento das pragas que atingem seres humanos e animais? É o desequilíbrio do ecossistema?

De fato, o que faltou e, ainda falta, é planejamento, fundamentado em análises dos efeitos de todas as ações humanas na natureza. Ora, numa época em que se fala tanto em R.O.I (Return of Investiments), inteligência artificial e redes neurais, porque não usar todos os recursos existentes para preservar o meio-ambiente? Os avanços conquistados pelo Homem são inegáveis, mas, muitos deles penalizaram severamente o planeta, que teve seus rios e o ar poluídos, florestas devastadas, animais extintos, inundações, secas etc. E, usando a inteligência, não é preciso parar o progresso, podemos conciliar desenvolvimento e preservação.

A tecnologia é, sem dúvida, um destes recursos. Para se ter uma idéia, existem softwares tão avançados que permitem planejar, considerando todas as variáveis envolvidas em qualquer ação humana na natureza, a partir da antecipação das possíveis conseqüências, o que é vital para a preservação do planeta. Embora, estas soluções tenham sido desenvolvidas para prover análise estatística avançada para a indústria otimizar recursos e reduzir riscos, sua aplicabilidade em outros campos vem sendo experimentada por instituições educativas e de pesquisa, com resultados notáveis.

Entre os aparatos da tecnologia analítica, estão ferramentas capazes de avaliar as conseqüências de transposições de rios, construções de hidrelétricas, desmatamentos. Um bom exemplo de aplicação da análise avançada em projetos é o grau de interferência na natureza que a construção de uma estrada provoca. Este é o tipo de situação que acontece todos os dias, em virtude do aumento da frota de veículos e com ela do caos no trânsito. Aí, surge à necessidade de se construir uma nova estrada numa determinada área. Por intermédio de uma análise matemática, podemos ter uma visão aproximada de como essa intervenção afetará o ciclo vital de uma espécie.

É possível antever, por exemplo, se a estrada vai prejudicar a mobilidade dos indivíduos ou reduzir a oferta de alimentos. Esses aspectos estão ligados, respectivamente, à reprodução e a mortalidade dessa população. Não se trata de fazer um retrato fiel do futuro, mas sim de estabelecer uma “estimativa educada” dos que aqui já estavam e conseguiram manter o ciclo funcionando por milhões de anos.

As análises são tão profundas, que é possível estudar também as possibilidades de sobrevivência de uma espécie em um determinado ambiente, avaliando a probabilidade de uma população animal entrar em processo de extinção, em um meio real. Além disso, permite detectar conseqüências não imaginadas ocorridas em virtude de uma mudança no habitat. E, sem impedir o progresso, conciliando os interesses.

Isto acontece porque utiliza algoritmos e modelos matemáticos com capacidade quase infinita de avaliação e cruzamento de dados, o que permite avaliar todas as probabilidades como, para o exemplo citado, a capacidade de reprodução, a taxa de mortalidade, a mobilidade e a densidade (número de indivíduos divididos pela área total) da espécie. Existe uma tese que explica profundamente o assunto – Luiz Antonio Ribeiro de Santana, embasada nos estudos do matemático Donald Ludwig.

No trabalho realizado por este pesquisador, no final da década de 70 sobre madeireiras canadenses que enfrentavam sérios problemas causados por uma praga, descobriu-se que uma lagarta atacava as árvores que forneceriam celulose para a fabricação de papel, gerando prejuízos de bilhões de dólares para o setor. Além de não surtir efeito, a aplicação de larvicidas causava enormes danos ecológicos.

Ludwig desenvolveu, então, um modelo matemático que indicou como alternativa a construção de "avenidas" espaçadas entre as árvores. Isso dificultou a mobilidade das lagartas, interferindo diretamente na sua reprodução. Depois de algum tempo, a população de larvas foi drasticamente reduzida, o mesmo ocorrendo com os prejuízos provocados por elas. Este exemplo evidencia o nível de impacto que as ações humanas causam. Ora, já que é indiscutível que podemos e devemos utilizar a tecnologia a favor da vida. Para manter o ar que vamos respirar, no futuro; o solo que nos sustenta com seus alimentos; a água que nos renova, hidrata e purifica todo o sistema necessário para a vida, que, como sabemos, é um recurso escasso. É bom lembrar que sistemas analíticos de porte embarcam tecnologias com poder efetivo, já que suportam a tomada de decisão, rumo a uma preservação inteligente. Com o planejamento que a análise estatística avançada viabiliza, é possível minimizar os impactos, colaborando com o ciclo que evita a devastação ambiental e produz a qualidade de vida.

E, já passou da hora de cada um fazer a sua parte. As corporações e o governo podem se valer das tecnologias existentes para minimizar os impactos na natureza, com planejamentos estratégicos coerentes e abrangentes. Afinal, estamos diante de um problema de proporções inimagináveis, que requer, na mesma medida, novas formas de ajuste das demandas da sociedade às necessidades de preservação do meio-ambiente.

A conclusão é simples. Falamos tanto em desarmamento, manter ou abrir mão de nossos direitos. E o direito daqueles que nascem? Ou melhor, o direito daqueles que aqui já estavam antes mesmo de nós? Sobre a “VIDA”, deveríamos neste campo não somente nos preocupar com a nossa própria existência, mas, sim, em conseguir manter o equilíbrio global, o que é premente para sua continuidade. E, por quê, então, não lançar mão de todas as armas para equilibrar e respeitar a natureza? Assim, poderemos olhar para o futuro, com mais otimismo. Além disso, os cidadãos podem, com pequenas ações diárias como economizar água, não comprar móveis cujas árvores estão em extinção, reciclar o lixo etc – contribuir para a preservação da natureza.

*André Lima de Brito é gerente de relacionamento da StatSoft South América, o braço sul-americano da StatSoft Incorporation, uma das maiores empresas no mundo na área de análise de dados e desenvolvimento de soluções estatísticas. E-mail:abrito@statsoft.com.br

Sobre a StatSoft South America: A StatSoft South America é o braço sul-americano da StatSoft Incorporation, criada em 1984, é uma das maiores empresas no mundo na área de análise de dados e desenvolvimento de software estatístico, contando com mais de 400 colaboradores, distribuídos em 60 países. Seu principal foco é o desenvolvimento de soluções e serviços de qualidade, com alto valor agregado e baseados nas necessidades de clientes e parceiros. Neste sentido, fornece inúmeras ferramentas de última geração como a STATISTICA, SWESS, SEDAS, DATA MINER, NEURAL, NETWORKS, QUALITY CONTROL,entre outras, em que utiliza aplicações para todos os segmentos do mercado. No Brasil, atua há seis anos, em todo o território nacional, estando presente nos principais expoentes dos segmentos petrolífero, siderúrgico, mineração, papel e celulose, alimentício, entre outros.

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Artigo enviado por Milene Sabóia

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